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Manobras contábeis de empresas de ônibus podem esconder 'caixa 2' para Kalil, diz MP de Contas

Relatório que baseou inquérito aberto pela Polícia Federal cita benefícios concedidos pela prefeitura aos empresários

Kalil é investigado pela Polícia Federal por relação com empresários de ônibus

O relatório do Ministério Público de Contas (MPC) que baseou a abertura de inquérito da Polícia Federal para apurar a relação entre o ex-prefeito Alexandre Kalil (PSD) e empresários de ônibus da capital mineira, reforça indícios de manobras contábeis que poderiam esconder pagamento de "caixa dois" para a campanha de Kalil à prefeitura em 2020 e ao Governo de Minas em 2022. A Itatiaia teve acesso ao conteúdo do documento assinado pelo procurador Glaydson Massaria e enviado ao Ministério Público Federal (MPF) e à PF.

O inquérito foi instaurado no dia 1º de junho e sugere que a Prefeitura de Belo Horizonte concedeu benefícios econômicos, como um adiantamento na compra de passagens no valor de R$ 218 milhões, a empresas que operam o transporte coletivo na capital mineira.

O relatório do MPC é assinado pelo procurador Glaydson Massaria, que cruzou informações levantadas pelo trabalho da CPI da BHTrans na Câmara de BH, com denúncias feitas pelo ex-chefe de gabinete de Kalil, Alberto Lage.

Em depoimento ao MP no final do ano passado, Lage relatou que "empresários proprietários de concessionárias de transporte da capital mineira contribuíram (e continuam a contribuir), financeiramente, com as campanhas eleitorais de Alexandre Kalil para os cargos de Prefeito e de Governador, bem como Adalclever Lopes, secretário de Governo, para o cargo de deputado estadual".

"A narrativa assume especial gravidade diante do fato de que, nos dois últimos anos, o município de Belo Horizonte e as empresas concessionárias de transporte coletivo urbano têm firmado acordos extremamente benéficos aos interesses econômicos destas últimas, em detrimento do interesse público. Ressalte-se que o prefeito tem feito significativas liberalidades econômicas em favor das concessionárias em total desrespeito às regras vigentes. Tais benesses foram cuidadosamente inseridas em acordos perante o MPMG e também ao Judiciário, visando evitar eventuais punições", mostra trecho do relatório do MPC.

Manobras contábeis

Massaria também cita um escândalo que envolveu alguns dos empresários que têm contratos com a Prefeitura de BH em Governador Valadares, no Leste de Minas, e que revelou um esquema de pagamento de propina na região.

De acordo com ele, a Operação Mar de Lama, da Polícia Federal, "demonstra que práticas ilícitas eram discutidas com naturalidade em reuniões de sócios de um dos grupos empresariais compostos por concessionárias de Belo Horizonte" e que as deliberações eram "registradas em atas".

Um dos aspectos citados pelo procurador é o lançamento da rubrica "escola" em diversas planilhas, "que podem ser na realidade um codinome para disfarçar pagamentos não declaráveis, v.g. propina ou caixa 2 de campanhas".

"Todos esses elementos indiciam que as informações contáveis apresentadas por parte das empresas concessionárias de transporte ao Poder Concedente e ao fisco não correspondem à realidade, de modo que parte substancial dos lucros dessas empresas remanescem sem qualquer espécie de controle, possibilitando o uso dos correspondentes recursos em esquemas de "caixa dois" em campanhas eleitorais, tal como aventado pelo sr. Alberto Lage", afirma o procurador no documento.

Kalil responde

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do ex-prefeito Alexandre Kalil, que respondeu que o procurador que assina o relatório é o mesmo "procurador/político amigo dos inimigos do prefeito" e que o relatório é 'novidade eleitoreira'.

Confira a nota na íntegra:

“Esse é o mesmo procurador/político, amigo dos inimigos do prefeito. Isso é coisa antiga e esse procurador não tem a menor relevância. Quanto ao inquérito, a resposta é a mesma:

“Investiguem! Chegou a campanha eleitoral e corrupto é que tem medo de investigação de Ministério Público e Polícia Federal. Essa CPI foi totalmente política, armada pelo Palácio Tiradentes. É tema requentado que já foi debatido antes. Não passa de ‘novidade’ eleitoreira”

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