Caderneta de poupança teve R$ 23,5 bilhões retirados em janeiro

Fenômeno ocorre em um momento em que a caderneta, uma vez já considerada a porta de entrada para o mundo dos investimentos, perdeu atratividade

Brasileiros retiraram mais dinheiro da poupança do que depositam

A caderneta de poupança segue registrando um saldo negativo no início de 2026. Em janeiro, os saques superaram os depósitos em R$ 23,5 bilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (6), movimento que se tornou comum nos últimos anos com investimentos de renda fixa mais atrativos.

De acordo com a autoridade monetária, os depósitos somaram R$ 331,23 bilhões, enquanto os saques foram na ordem de R$ 354,74 bilhões. Os rendimentos creditados nas contas de poupança foram de R$ 6,4 bilhões, e o saldo total da caderneta é de pouco mais de R$ 1 trilhão.

Em 2025, a poupança registrou o quinto ano consecutivo com mais saques do que depósitos. Foram depositados R$ 4,27 trilhões no ano passado, ante R$ 4,36 trilhões de retiradas, resultando em um saldo negativo de R$ 85,6 bilhões, o pior resultado desde 2023.

O fenômeno ocorre em um momento em que a caderneta, uma vez já considerada a porta de entrada para o mundo dos investimentos, perdeu atratividade para os brasileiros. Segundo especialistas, isso ocorre por alguns motivos: a taxa básica de juros elevada favorece outros investimentos e uma população mais educada financeiramente para reconhecer oportunidades.

Para Rafael Winalda, especialista de renda fixa do banco Inter, os juros elevados tornaram a poupança menos atraente frente a produtos que oferecem rentabilidade superior, risco semelhante e liquidez diária. “Ou seja, o investidor percebeu que não há mais prêmio algum em ficar na poupança”, disse.

O especialista também cita uma pressão de renda nas famílias que tiveram que sacar recursos da poupança para cobrir despesas correntes e reorganizar o orçamento em um cenário de inflação elevada. Assim, a evasão pode ir além de uma estratégia de investimentos. “É natural em um processo de recomposição patrimonial”, emendou.

“Por último, mesmo o investidor mais conservador mudou seu comportamento - passou a aceitar Tesouro Direto, CDBs garantidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e fundos simples de renda fixa. A poupança deixou de ser “o ativo padrão” do conservador brasileiro. É uma mudança cultural definitiva: a poupança virou conta de passagem, não mais investimento”, completou Winalda.

Veja investimentos alternativos a poupança

CDB, LCA e LCI

Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) podem ter rentabilidade pós-fixada (geralmente um percentual do CDI, que segue de perto a Selic), prefixada ou híbrida. As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA) possuem estrutura similar, mas contam com a vantagem da isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas.

Tesouro Selic (LFT)

Conhecido como Letra Financeira do Tesouro, na prática representa um empréstimo do investidor ao Governo Federal para financiar projetos. Trata-se de um investimento pós-fixado, emitido pelo Tesouro Nacional, com liquidez diária e cuja rentabilidade acompanha a variação da Selic. Apresenta baixo risco e alta Liquidez.

Tesouro Prefixado (LTN)

Letra do Tesouro Nacional (LTN) oferece uma taxa de juros fixa no momento da aplicação. Dessa maneira, o investidor sabe exatamente qual será seu retorno se mantiver o título até o vencimento. É uma boa opção para quem busca previsibilidade e tem objetivos financeiros de longo prazo, uma vez que possui menos volatilidade.

Tesouro IPCA+

Conhecido como Nota do Tesouro Nacional Série B, é um título que combina rentabilidade prefixada, com percentual definido na hora da compra, com uma parta pós-fixada, atrelada à variação do IPCA. É uma boa opção para proteger o capital da inflação no longo prazo.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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