O que explica a ‘queda livre’ do Bitcoin?

Criptomoeda atingiu uma cotação menor que 70 mil dólares e acendeu um alerta no mercado

Bitcoin acumula queda de 10% nesta quinta-feira (5)

O Bitcoin (BTC), principal criptomoeda do mercado, segue o movimento dos metais preciosos e opera em “queda livre” nesta quinta-feira (5). A moeda digital já perdeu 9,71% do seu valor, cotada a US$ 66 mil (R$ 347 mil) às 16h, o menor patamar desde novembro de 2024.

Com a queda, foram liquidados mais de US$ 868,23 milhões em ativos nas últimas quatro horas, segundo a plataforma CoinGlass. Especialistas no mercado acreditam que a moeda está sendo vítima de uma “venda em campanha”, com grandes investidores se desfazendo das suas posições nos Estados Unidos, Europa e Ásia.

A queda ocorre em um cenário de aversão a risco dos investidores, uma vez que criptomoedas apresentam grande volatilidade, com as incertezas globais. Com a moeda abaixo do marco dos US$ 70 mil, operadores acreditam que o mercado entrou em uma zona de risco que deve aprofundar as vendas nos próximos dias.

O Bitcoin é pressionado pelo aumento nas tensões entre Estados Unidos e Irã, além da indicação de Kevin Warsh feita por Donald Trump ao comando do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos EUA. As incertezas levam os ativos de risco a enfrentarem uma pressão generalizada.

Segundo o economista e sócio da iHUB Investimentos, Lucas Sharau, o bitcoin é amplamente impactado quando o apetite a risco desaparece no mercado. “É um ativo que amplifica movimentos de queda em períodos de aversão, por isso exige cautela de quem investe”, explicou.

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Mesmo com a popularização dos ETFs (fundos de índice), que permitem um investimento simplificado no ativo, isso não elimina o risco. “Não há calmaria automática só porque agora há mais infraestrutura ou ETFs; o risco permanece, principalmente para perfis mais conservadores”, destacou.

Nos últimos dias, no entanto, o bitcoin foi muito afetado por um clima pessimista em vários mercados, principalmente nas ações do setor de tecnologia e, inclusive, nas áreas de metais preciosos.

Além disso, a criptomoeda enfrenta persistentes incertezas regulatórias devido à análise da chamada Lei CLARITY, projeto sobre criptomoedas nos Estados Unidos, a chamada Lei CLARITY, atualmente travada no Senado. “Os avanços esperados a respeito da lei não vieram”, indica James Butterfill, analista da CoinShares.

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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