Ibovespa cai mais de 2%, a maior queda diária desde dezembro

Bolsa ameaçou o que seria a sua maior queda livre desde o chamado ‘Flávio Day’, quando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou a pré-candidatura à Presidência

Bolsa caiu 2,14% nesta quarta-feira (4)

No dia seguinte à retomada da renovação de recordes, o Ibovespa ameaçou nesta quarta-feira (4) o que seria a sua maior queda livre desde o chamado “Flávio Day” - como ficou conhecido o dia do anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência da República. Se em 5 de dezembro o indicador mergulhou 4,31% naquele fechamento , nesta quarta o ajuste negativo chegou a ficar perto de 3%.

Porém, com a melhora das ações da Vale (ON +0,49%) em direção ao fechamento, o índice moderou a perda a 2,14%, aos 181.708,23 pontos. Uma variação, que na mínima do dia (180 268,54), superava 5 mil pontos em relação ao nível de abertura, correspondente à máxima do dia, de 185.670,99.

Ao fim, foi a maior perda diária para o Ibovespa desde 16 de dezembro (-2,40%). O giro financeiro, como observado desde janeiro, permanece fortalecido na B3, a R$ 37,0 bilhões, refletindo o aumento da exposição do investidor de fora a Brasil, com a rotação de ativos desde os Estados Unidos. Após a realização de lucros desta quarta-feira, o Ibovespa limita o ganho da semana a 0,19% que coincide com o acumulado no mês de fevereiro. No ano, sobe 12,77% e, em 12 meses, agrega 45,20%.

Entre os maiores bancos, as perdas do Santander Unit ficaram em 2,70%, após a divulgação do balanço da instituição financeira, que abriu a temporada do quarto trimestre de 2025. Principal ação do segmento, Itaú PN caiu 3,29% - o banco divulga balanço, depois do fechamento da B3. Bradesco PN cedeu 3,23%. As gigantes de commodities mostraram resiliência maior ao movimento negativo, com destaque para Vale ON, principal papel do Ibovespa, conseguindo se descolar no fechamento. Petrobras cedeu 0,57% na ON e 0,16% na PN.

Na ponta ganhadora do Ibovespa, apenas sete das 85 ações que compõem o Ibovespa conseguiram escapar do campo negativo no fechamento, com Braskem (+1,95%), Porto Seguro (+1,51%), Rumo (+1,33%) e Suzano (+1,04%) à frente. No lado oposto, destaque para Raízen (-13,27%), Totvs (-12,89%), Hypera (-10,30%) e Cogna (-6,91%).

Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, os resultados do Santander, na abertura da temporada de balanços do quarto trimestre de 2025, destravaram uma correção em todo o setor financeiro, que se espalhou por outros segmentos, em sinal de alguma “exaustão” do forte e longo rali do mercado acionário brasileiro. “Outros papéis importantes no índice, como Petrobras, também mostraram recuo, embora mais modesto, em movimento de correção apesar da alta das commodities de referência na sessão”, acrescenta.

No quadro mais amplo, certa cautela também prevaleceu nas bolsas de Nova York neste meio de semana, com foco ainda voltado para os resultados de empresas americanas, em especial as do setor de tecnologia, sob escrutínio desde o fim do ano passado em meio a dúvidas quanto a uma bolha de IA. Por lá, o Nasdaq fechou o dia em baixa de 1,51%, à frente do S&P 500, que cedeu 0,51%, enquanto o Dow Jones subiu 0,53% na sessão.

“Há um movimento técnico em andamento ainda nos mercados dos Estados Unidos e, apesar da diversificação para emergentes como o Brasil representar uma fatia muito pequena do estoque alocado por lá, representa muito, em termos de fluxo, para a Bolsa daqui”, diz Higor Rabelo, especialista e sócio da Valor Investimentos, que acredita que o movimento de venda de ativos americanos e rotação global tende a continuar beneficiando o ingresso de recursos na B3.

*Com informações de Estadão Conteúdo

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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