Fluxo de investidores estrangeiros na Bolsa em janeiro foi maior do que todo 2025

Levantamento da Elos Ayta Consultoria mostra o grande apetite de investidores estrangeiros por ativos brasileiros

Mês teve maior fluxo mensal de capital estrangeiro já registrado pela Elos Ayta

O rali da bolsa de valores brasileira em janeiro, com uma valorização de 12,56% no Ibovespa, principal indicador do mercado acionário local, foi sustentado por um fluxo de investimentos estrangeiros histórico. No recorde intradiário, o índice chegou a bater os 185 mil pontos pela primeira vez, impulsionado pelas principais empresas da cesta.

Segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria, em apenas um mês, o saldo líquido de recursos externos na B3 superou todo o fluxo registrado ao longo de 2025. Sem considerar ofertas públicas iniciais (IPOs) e ofertas subsequentes (follow-ons), o investimento estrangeiro no mês passado foi na casa de R$ 26,31 bilhões, acima dos R$ 25,47 bilhões acumulados em 2025.

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O saldo líquido, incluindo as operações de oferta de ações, foi de R$ 26,47 bilhões, praticamente o mesmo saldo de 2025, que foi de R$ 26,87 bilhões. “Em outras palavras: quase todo o dinheiro estrangeiro que entrou na B3 em 2025 chegou em janeiro”, disse o especialista Einar Rivero, da Elos Ayta.

A análise de janeiro mostra que o mês teve maior fluxo mensal de capital estrangeiro já registrado pela consultoria, considerando a série histórica iniciada em janeiro de 2022. Até então, o recorde havia ocorrido em fevereiro de 2022, quando o saldo foi de R$ 24,31 bilhões. Agora, esse patamar foi superado com folga.

Somente em compras realizadas por investidores estrangeiros, o saldo soma R$ 421,4 bilhões em janeiro. Na parte das vendas, foram R$ 395,1 bilhões, configurando o segundo maior volume mensal de vendas da série.

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Ainda de acordo com Rivero, o dado reforça a leitura de que o apetite estrangeiro pela renda variável brasileira não se resume a operações pontuais, mas uma reavaliação de risco, preço e posicionamento estratégico no mercado local.

O fluxo robusto acontece com uma combinação de fatores: um valuation baixo da bolsa brasileira, especialmente em setores tradicionais; expectativa de normalização do ciclo de juros global, favorecendo mercados emergentes; e a busca por diversificação geográfica em ambiente global de risco. O especialista também afirma que o Brasil voltou ao radar de grandes investidores globais.

“Se janeiro costuma dar o tom do ano, 2026 começou em ritmo forte. Resta saber se o investidor estrangeiro seguirá ampliando posições ou se parte desse movimento já antecipa ganhos esperados para os próximos meses. O mercado, como sempre, responderá”, completou.

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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