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A evasão de recursos na caderneta foi a maior desde 2023, quando o saldo negativo foi de R$ 87,8 bilhões.
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O fenômeno ocorre em um momento em que a caderneta, uma vez já considerada a porta de entrada para o mundo dos investimentos, perdeu atratividade para os brasileiros. Segundo especialistas, isso ocorre por alguns motivos: a taxa básica de juros elevada favorece outros investimentos de renda fixa, como o Tesouro Direto, e uma população mais educada financeiramente para reconhecer oportunidades seguras no mercado.
Para Rafael Winalda, especialista de renda fixa do banco Inter, os juros elevados tornaram a poupança menos atraente frente a produtos que oferecem rentabilidade superior, risco semelhante e liquidez diária. “Ou seja, o investidor percebeu que
O especialista também cita uma pressão de renda nas famílias que tiveram que sacar recursos da poupança para cobrir despesas correntes e reorganizar o orçamento em um cenário de inflação elevada. Assim, a evasão pode ir além de uma estratégia de investimentos. “É natural em um processo de recomposição patrimonial”, emendou.
“Por último, mesmo o investidor mais conservador mudou seu comportamento - passou a aceitar Tesouro Direto, CDBs garantidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e fundos simples de renda fixa. A poupança deixou de ser “o ativo padrão” do conservador brasileiro.
Poupança ainda vence a Inflação
Apesar do resultado negativo no ano, a caderneta registrou um dezembro positivo, o primeiro mês em que os saques não superaram os depósitos desde junho. Ao todo, foram R$ 432,8 bilhões investidos por poupadores no mês passado, enquanto foram R$ 427,3 bilhões em saques - um resultado de R$ 5,4 bilhões líquidos.
O estoque total da poupança subiu de R$ 1,01 trilhão em novembro de 2025, para R$ 1,02 trilhão em dezembro, mas ainda está atrás do resultado de 2024 quando o registro foi de R$ 1,03 trilhão. Historicamente, o último mês do ano sempre registra uma entrada líquida positiva de recursos na caderneta, influenciado pelo pagamento de gratificações natalinas.
Outro dado positivo para essa modalidade de investimentos é o fato de que, pelo quarto ano seguido, o rendimento da poupança foi maior que a inflação. Assim, a caderneta cumpre o pressuposto básico de proteger o patrimônio e o poder de compra das famílias da depreciação do índice de preços.
Segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria, a poupança rendeu 8,19% no ano passado, enquanto a inflação acumulada foi de 4,26%, um ganho real de 3,77% para os investidores que aplicaram dinheiro. Porém, ainda há uma perda para o CDI, que no mesmo período teve um ganho real de 9,77%
“O dado chama atenção sobretudo pelo contraste com a década passada. Entre 2013 e 2021, a poupança passou longos períodos oferecendo ganhos reais irrisórios ou até negativos, como em 2015, 2019, 2020 e 2021, anos em que o investidor viu o dinheiro render menos do que a inflação, mesmo sem assumir qualquer risco”, explicou o especialista Einar Rivero, da Elos Ayta,
Segundo Einar, essa diferença entre a poupança e o CDI ajuda a explicar o porquê da caderneta não ser considerada uma aplicação eficiente sob a ótica do retorno. “Mesmo produtos conservadores, como fundos referenciados DI que rendem 90% do CDI, teriam apresentado desempenho superior ao da poupança”, emendou.
“Em outras palavras, o investidor não precisa abrir mão de segurança para obter resultados consistentemente melhores. A conclusão é direta: a poupança voltou a proteger contra a inflação, o que não é pouco diante do histórico recente. No entanto, ela continua ficando para trás quando comparada às alternativas mais simples do mercado financeiro”, completou Rivero.