Ministério da Fazenda reduz previsão de crescimento do PIB em 2026

Dados do balanço macrofiscal revelam uma projeção ligeiramente menor do que em novembro de 2025

Governo espera um crescimento consideravelmente menor no Agro em 2026

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda reduziu a previsão de crescimento econômico em 2026, e aumentou levemente a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país. Os dados são do balanço macrofiscal de 2025, divulgado nesta sexta-feira (6).

Para este ano, o governo espera uma expansão de 2,3% para o Produto Interno Bruto (PIB), ante uma projeção de 2,4% divulgada em novembro do ano passado. A revisão para baixo se deve a uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica projetada para o segundo semestre de 2025, reduzindo o carregamento estático para 2026.

A projeção estima uma desaceleração da agropecuária, com um crescimento de apenas 0,5% em 2026, com queda na produção de grãos, segundo os primeiros prognósticos da safra. A queda no agro deve ser compensada pela Indústria (2,3%) e serviços (2,4%).

“O início da flexibilização monetária, estimulando a concessão de crédito a partir de fins de 2026, também poderá contribuir para a expansão de serviços cíclicos. Pela ótica da demanda, projeta-se maior contribuição da absorção doméstica, enquanto a contribuição do setor externo tende a cair”, destaca o relatório da SPE.

No lado da inflação, a Fazenda projeta uma redução de 4,3% em 2025 para cerca de 3,6% em 2026. Em novembro, o governo estimava um índice de preços ligeiramente menor, de 3,5%. “A inflação de bens industriais e serviços deve continuar a cair, repercutindo o excesso de oferta de bens e os efeitos defasados do enfraquecimento do dólar e da política monetária”, escreve.

Expectativa para 2025

Segundo o governo, o crescimento do país voltou a surpreender em 2025, especialmente em atividades menos sensíveis ao ciclo da política monetária, com destaque para a agropecuária e a indústria extrativa. Porém, a atividade econômica desacelerou na comparação com 2024, refletindo os efeitos de uma taxa de juros alta (15% ao ano).

“A desaceleração repercute principalmente a manutenção da política monetária em patamar restritivo em um contexto de redução da inflação, contribuindo para elevar a taxa de juros real para o nível mais alto da última década. Como consequência dos juros altos, as concessões de crédito bancário desaceleraram ao longo do ano, afetando o desempenho da indústria, dos serviços e da absorção privada”, disse o relatório.

Para o fechamento dos dados do ano passado, que só devem ser divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em março, a SPE espera uma expansão de 2,3% do PIB. Até novembro, a expectativa era de 2,2%. A revisão para cima se dá de acordo com dados da atividade no terceiro trimestre. Por setor produtivo, passou a se projetar crescimento de 11,3% para o PIB agropecuário e de 1,7% tanto para a indústria como para os serviços.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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