Ano novo, vida nova, será? Eu sempre acredito que um novo ciclo anual é uma grande oportunidade para a gente fazer diferente, mas para isso acontecer e dar certo, é importante planejar. Muita gente já começa a rascunhar as metas para o ano que iniciou, alguns querem mudar de carreira, outros, melhorar a saúde física, mental, são inúmeros e diversos os desejos, não é mesmo? No mundo corporativo, não é diferente, mas o foco geralmente é sobre faturamento, metas de vendas e expansão. Mas quero te convidar a colocar uma lente diferente no seu planejamento para 2026: como a sua empresa pode realmente “pensar fora da caixa” e planejar estrategicamente uma forma que o impacto social não seja apenas uma frase plotada na parede, mas sim, no coração do negócio?
Sempre falo aqui que a responsabilidade social e o crescimento econômico estão entrelaçados. Para uma empresa investir no social de forma sustentável, ela precisa prosperar, e para prosperar em um mercado cada vez mais consciente, ter sua marca apoiando projetos de alto impacto é fundamental para isso. É o que eu já escrevi em outros temas da minha coluna, o “tal do ganha-ganha-ganha”, ganham o negócio, os projetos, a comunidade local e a sociedade como um todo.
Então, papel e caneta na mão para você empresário anotar o passo a passo que eu criei para quem quer tirar a responsabilidade social do papel e transformá-la em estratégia e deixar um legado. Vamos lá?
1. Olhe para dentro antes de olhar para fora
Não adianta querer salvar o mundo se a “casa” não estiver em ordem. Responsabilidade social começa com o cuidado com quem mora nela: seus colaboradores. Fazer um diagnóstico dentro da empresa para revelar o grau de maturidade em que a mesma e seus colaboradores se encontram sobre o tema e entender as necessidades e desejos dos seus funcionários é muito importante. Práticas de inclusão, diversidade e equidade salarial são o primeiro passo para uma estratégia real mas não os únicos.
2. Encontre a sua causa (O “Match” com o negócio)
Escolha causas que tenham a ver com o que sua empresa faz, por exemplo, se você é do ramo de tecnologia, por que não apoiar a qualificação profissional de jovens da periferia para o mercado digital? Quando o projeto social “conversa” com o seu negócio, o investimento faz mais sentido e se torna autossustentável.
3. Profissionalismo é a palavra de ordem
Fuja do amadorismo. Procure organizações sociais (OSCs) que tenham credibilidade, transparência e que usem ferramentas de gestão para medir resultados. Projetos sérios, como os que a gente sempre destaca por aqui tais como a AMR (Associação Mineira de Reabilitação) ou o Instituto O Grito, Sistema Divina Providência, Rede Solidária dentre outros, mostram que eficiência e paixão pelas pessoas precisam caminhar juntas.
4. Saia do assistencialismo e foque na autonomia
Eu sempre falo que não adianta você falar que a pessoa precisa de empreender se ela acabou de perder a casa em um desabamento. O assistencialismo é sim, muito importante, mas não deve ser a única estratégia implementada e principalmente sem prazo final determinado. Em casos como esse, a assistencialismo é a primeira medida, importante para curar as feridas, trazer dignidade e conforto. Mas é fundamental que durante esse processo, especialistas já estejam pensando em como ajudar as pessoas a se desenvolverem profissionalmente a fim de terem uma vida digna a longo prazo. Enfim, o objetivo não deve ser apenas “dar o sorvete”, mas ensinar a “comprar ou fazer o próprio sorvete”. Por isso, procure investir em projetos que promovam a autonomia e a transformação social de fato.
5. Crie um programa de voluntariado
Ter um programa de voluntariado na sua empresa é muito interessante por diversos motivos: primeiro você consegue se conectar de uma forma muito mais enriquecedora com seus funcionários, através das ações de voluntariado você consegue mapear e desenvolver talentos, melhorar o ambiente profissional e as relações, transformar positivamente a cultura organizacional, dentre outros benefícios incríveis.
6. Comunique A VERDADE
Aquela história de que “o que se dá com uma mão, não se mostra com a outra”, ficou no passado. Hoje é crucial que sua empresa comunique ao público interno e externo suas ações de responsabilidade social. Mas tenha muito cuidado em como e o que você comunica, pois, o consumidor de hoje tem “olhos de lince” para o que é marketing vazio, o também conhecido, greenwashing. Use sua voz para dar visibilidade às causas que apoia, mas sempre foque no impacto real gerado na vida das pessoas, e não no logotipo da sua empresa. E por favor, não permita que ações de voluntariado se transformem e momentos de vaidade a autopromoção, bom senso, nunca é demais!
Planejar 2026 com esse olhar inovador e humano é um grande diferencial. Sabemos que não é algo muito simples, por isso, havendo dificuldade, lembre-se que você pode contar com a ajuda de consultores especializados no tema. Ter uma estratégia profissional bem definida, é o que separa empresas que apenas existem daquelas que realmente deixam um legado. Afinal, o sucesso de um negócio só é completo quando ele ajuda a construir uma sociedade e economia melhores.