Bruna Braga | A importância do assistencialismo profissionalizado

Como a ajuda da Humus, ONG especializada em desastres, tem amenizado a dor da população atingida pelas chuvas em Juiz de Fora e Ubá, além de ensinar milhares de pessoas a contribuírem efetivamente

ONG Humus ameniza dor da população atingida pelas chuvas em Juiz de Fora e Ubá

Infelizmente uma cena se tornou comum todos os anos em dias de chuva forte em Minas Gerais: o céu escurece, o coração aperta e, em poucas horas, cidades como Juiz de Fora e Ubá veem suas ruas transformadas em rios lamacentos. A água sobe, leva o sofá, a geladeira e, com eles, a dignidade de quem lutou uma vida inteira para conquistar o pouco que tem. Diante da tragédia, a alma mineira não hesita: a gente quer ajudar, quer carregar fardo, quer doar o que pode. Mas você já parou para pensar se a sua ajuda, na verdade, não está atrapalhando?

Nos últimos dias, dois perfis nas redes sociais me chamaram a atenção; o da ONG Humus e do seu fundador, Léo Farah, ex Capitão do Corpo de bombeiros e especialista em desastres. A “hora do assistencialismo” é agora, sim, mas de um assistencialismo que respeita a realidade local, não prejudique os moradores e a logística de quem está na linha de frente.

Pode parecer duro o que vou dizer, mas em tempos de desastre, a solidariedade precisa de inteligência, não apenas de emoção. Este é um grande desafio, que especialistas como o Léo Farah, da ONG Humus, sempre reforça em seus vídeos e posts nas redes sociais. O excesso de doações e ações não planejadas, gera uma “segunda catástrofe": a do entulho, aglomeração de pessoas despreparadas e do prejuízo para comerciantes e outros atores locais.

Montanhas de roupas rasgadas, sapatos sem par ou alimentos vencidos acabam entupindo os centros de distribuição. Em vez de salvar vidas, os voluntários perdem horas preciosas triando o que deveria ter ido para o lixo. Grande parte dessas doações acabam sendo incineradas, outro ponto importante, já mencionado aqui e nos posts da Humus, é que um dos fatores cruciais para a recuperação daquela cidade devastada, é a volta da circulação de capital no comércio local. Por exemplo, imagine que em Ubá, após a enchente, o mercadinho do bairro conseguiu limpar o barro e reabrir. Se enviarmos milhares de cestas básicas de fora, esse comerciante que também é uma vítima, não vai vender nada. O dinheiro não circula na cidade, e a recuperação econômica, que é o que mantém as famílias “em pé” a longo prazo, demora muito mais para acontecer.

Como ajudar efetivamente

Então, como fazer a nossa parte de um jeito que realmente ajude?

Priorize doações em dinheiro: É a forma mais ágil de fazer o recurso chegar aonde é preciso. Organizações sérias como a Humus utilizam esses valores para adquirir itens específicos que a comunidade demanda no momento exato, muitas vezes comprando no próprio comércio local afetado ou criando cartões com valores a serem gastos pelas pessoas na cidade.

Filtre a doação de roupas: Pergunte-se: “Eu usaria isso hoje?”. Se a resposta for não, não envie. Doe itens de higiene pessoal e limpeza, que são os primeiros a acabar e os mais necessários para evitar doenças após a água baixar.

Siga quem entende: Antes de montar um caminhão de doações por conta própria, acompanhe as orientações de quem entende do assunto. Redes sociais como a da Humus e do Léo Farah trazem a realidade sobre o que é urgência e o que é excesso.

Você vai encontrar muito mais informação nas redes sociais já citadas aqui, aproveito para parabenizar a todos que se movimentaram e continuam lutando dando o seu melhor, para que a dor dessas milhares de pessoas atingidas seja amenizada. Nesses dias, pude ver o Instituto Galo doando luvas e meias para a Humus, quem diria, que esses itens seriam tão relevantes? Estou aprendendo muito com as postagens e você também pode saber mais seguindo eles nas redes sociais. Me emocionei com as várias campanhas lançadas, tais como, a do Juninho Maderite, filho do Influenciador falecido, Henrique Maderite, seguindo o exemplo de solidariedade dado pelo pai em vida!

Como já disse, tenho aprendido muito e quero te convidar a aprender também, a gente nunca sabe tudo, nesses meus mais de 20 anos, atuando em ações de responsabilidade social, aprendi que cada pessoa detém um conhecimento em alguma área, melhor do que a outra. Por isso, a responsabilidade social não é um evento isolado, é um caminho que a gente trilha junto. A empatia é o nosso maior patrimônio, mas ela brilha de verdade quando se une à organização.

Siga: @humus_br e @leofarah

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Bruna Braga é jornalista, consultora em RSC e fundadora da Terceirolhar

A opinião deste artigo é do articulista e não reflete, necessariamente, a posição da Itatiaia.

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