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Caso da torta de frango: o que é botulismo, causa suspeita de intoxicação da família internada

Rara e muito grave, a condição é causada por uma toxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum

Casal está internado na UTI

O mistério que envolve a causa da intoxicação de três pessoas, de 23, 24 e 75, após comerem uma torta de frango no bairro Serrana, na Pampulha, em Belo Horizonte, pode estar próximo do fim. De acordo Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), a pasta foi notificada pela suspeita de intoxicação por Clostridium botulinum, bactéria que causa o botulismo.

A confirmação ainda demanda tempo para a conclusão dos exames. Porém, sabe-se que, se confirmada, é uma condição grave. Por isso, a reportagem da Itatiaia conversou com o infectologista Carlos Starling, que explicou o que é o botulismo, como ocorre a contaminação e como prevenir.

Segundo ele, o botulismo é uma doença rara e muito grave causada por uma toxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum. ''Essa toxina leva à paralisia muscular e, posteriormente, à paralisia respiratória, podendo resultar em morte”, disse.

Isso porque a toxina interfere na função dos nervos: “A toxina bloqueia a liberação de acetilcolina, uma substância fundamental para a contração muscular, causando fraqueza e paralisia dos músculos, especialmente os respiratórios, levando à insuficiência respiratória aguda”, informou.

Alguns dos primeiros sintomas da doença são fraqueza muscular, alteração da visão (visão turva), dificuldade para engolir e falar. “Em casos graves, ocorre paralisia respiratória, paralisia muscular generalizada e parada cardiorrespiratória, que pode ser fatal se não houver atendimento imediato”, explicou.

Outros sintomas

  • Ausência ou diminuição dos reflexos do tendão profundo;
  • Ausência ou diminuição do reflexo faríngeo;
  • Pálpebra caída;
  • Perda da função/sensibilidade muscular;
  • Intestino paralisado;
  • Comprometimento da fala;
  • Retenção urinária com possível incapacidade de urinar

Fonte: Ministério da Saúde

A transmissão

De acordo com o especialista, as formas de transmissão são ingestão de alimentos contaminados, infecção de feridas (cirúrgicas ou acidentais), ingestão de esporos em bebês (botulismo infantil) e, raramente, administração inadequada da toxina em procedimentos médicos.

Comida contaminada, diz Starling, é a forma de transmissão mais comum e é o que poderia explicar a relação da torta de frango com a intoxicação da família.

“Alimentos enlatados em casa e alimentos fermentados inadequadamente são mais propensos à contaminação. Latas com validade vencida são indicativos de possível presença da toxina”, informou.

O Ministério da Saúde cita que os alimentos mais comumente envolvidos são:

  • conservas vegetais, principalmente as artesanais (palmito, picles, pequi);
  • produtos cárneos cozidos, curados e defumados de forma artesanal (salsicha, presunto, carne frita conservada em gordura – “carne de lata”);
  • pescados defumados, salgados e fermentados;
  • queijos e pasta de queijos e
  • alimentos enlatados industrializados.

Fonte: Ministério da Saúde

Segundo Carlos Starling, a mortalidade era muito alta no passado, chegava a 50% dos infectados. Hoje, com tratamento precoce, varia em torno de 5 a 10%.

“O tratamento é feito com antitoxina, suporte de ventilação mecânica, terapia intensiva. Para intoxicação por infecção de ferida, é necessário o uso de antibióticos. O diagnóstico precoce e o início precoce do tratamento são fundamentais e definem o prognóstico”, disse.

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Prevenção

  • Não consumir alimentos em conserva que estiverem em latas estufadas, vidros embaçados, embalagens danificadas, vencidas ou com alterações no cheiro e no aspecto;
  • Lave sempre as mãos;
  • O preparo de conservas caseiras deve obedecer rigorosamente aos cuidados de higiene e armazenamento;
  • Certifique-se de que essas medidas foram adotadas pelo estabelecimento/vendedor que preparou o alimento;
  • O mel é um dos alimentos mais perigosos, especialmente, para crianças menores de 2 anos, pois há risco de conter esporos da bactéria do Botulismo, e este público ainda está adaptando sua microbiota intestinal a novos alimentos, podendo desenvolver quadros graves da doença;
  • O aquecimento dos alimentos pode eliminar as toxinas do botulismo com o cozimento por 10 minutos com a temperatura acima de 80ºC.

Fonte: Ministério da Saúde

A relação da bactéria e do Botox

O Botox é feito a partir da toxina botulínica — uma proteína produzida pela bactéria Clostridium botulinum. “Uma forma purificada e extremamente diluída da toxina botulínica é usada para paralisar temporariamente músculos, principalmente da face, para suavizar rugas”, explicou Starling. Também é usada tratar espasmos musculares e alterações na bexiga.

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Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.