Bacabal-MA: veja como estão as buscas após 45 dias do desaparecimento de crianças

Prefeito destaca que operação continuará até que Ághata Isabelly e Allan Michael sejam encontrados

Ágatha Isabelle, de 6 anos e Allan Michel, de 4, são os irmãos desaparecidos há 45 dias em Bacabal, no interior do Maranhão

As buscas por Ágatha Isabelly, de seis anos, e Allan Michael, quatro, em Bacabal, no interior do Maranhão, completam 45 dias nesta quinta-feira (19). O desaparecimento dos irmãos mobiliza equipes de segurança, familiares e toda a comunidade, mas ainda não há pistas concretas sobre o paradeiro das crianças.

Dias antes do desaparecimento completar um mês, o prefeito de Bacabal, Roberto Costa (MDB) destacou, em entrevista à Itatiaia, que as buscas continuarão até que as crianças sejam encontradas.

O Corpo de Bombeiros do Maranhão informou que as equipes voltaram a percorrer áreas que, anteriormente, já tinham sido vistoriadas. As buscas estão concentradas nos pontos que foram mapeados no início da operação, com o objetivo de identificar qualquer detalhe que possa ter passado despercebido. Em locais de difícil acesso, as autoridades utilizam drones e helicópteros.

Cães farejadores localizaram o último rastro das crianças em uma cabana abandonada, nomeada pelos policiais como “casa caída”. O local está aproximadamente a 3,5 quilômetros, em linha reta, da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, onde os irmãos e o primo, Anderson Kauã, de oito anos, desapareceram. O mais velho foi encontrado três dias depois, quando deixou os primos no casebre em busca de ajuda.

Buscas por Ághata e Allan

Até o momento, as buscas contaram com mais de 500 pessoas, envolvendo policiais civis, militares, bombeiros, membros da prefeitura e do governo estadual, além de voluntários e de moradores da comunidade. A operação seguiu duas linhas, procurando as crianças por terra, onde equipes percorreram uma área de mata superior a 3.200 km², e pelo Rio Mearim, que fica próximo da “casa caída”.

O prefeito de Bacabal também contou que as investigações sobre o caso estão sob sigilo. Em entrevista à Itatiaia, no mês de janeiro, ele explicou que não iria divulgar detalhes sobre o trabalho da Polícia Civil, mas destacou que dezenas de pessoas - principalmente moradores de São Sebastião dos Pretos - foram convocadas para depor. Confira a entrevista completa aqui:

Com a falta de indícios de que as crianças passaram pelo Rio Mearim, a Marinha brasileira anunciou, no fim de janeiro, que encerrou as buscas na região. Durante cinco dias, equipes percorreram mais de 19 quilômetros do rio, a partir do ponto provável de queda das crianças. Os trabalhos contaram com mergulhadores utilizando o equipamento side scan sonar para mapear o fundo do rio, gerando imagens detalhadas mesmo em águas turvas.

A Marinha ainda destacou que segue com equipes da Capitania dos Portos do Maranhão e do Centro de Hidrografia do Norte em prontidão caso surjas evidências das crianças na área fluvial.

As buscas contaram com “falsas esperanças” nas últimas semanas. Pouco antes do desaparecimento completar um mês, a Polícia Civil de São Paulo recebeu uma denúncia sobre o possível paradeiro das crianças. Elas estariam em um hotel no centro da capital paulista. Porém, uma equipe se deslocou para o hotel e constatou que os jovens não são Ághata e Allan.

Já no interior do Maranhão, voluntários chegaram a encontrar peças de roupas infantis em uma área de mata no povoado quilombola. De acordo com informações dos voluntários envolvidos nas buscas, as roupas estavam próximas a uma gruta, dentro do perímetro onde as crianças sumiram.

As equipes envolvidas nas buscas admitem que o trabalho é de grande complexidade, principalmente pelo terreno. A área onde as crianças desapareceram tem mata fechada, relevo irregular, lagos e riachos. Em alguns pontos, autoridades encontraram animais silvestres, como serpentes.

Relembre a linha do tempo do caso

Os irmãos Ágatha Isabelle, de seis anos, e Allan Michael, quatro, e o primo deles Anderson Kauã, de oito, desapareceram em 4 de janeiro. Os três brincavam em uma área de mata no povoado São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no interior do Maranhão, próximo a casa da avó.

No mesmo dia em as autoridades foram acionadas e informadas sobre o sumiço, familiares registraram o boletim de ocorrência, e equipes foram mobilizadas para iniciar as buscas.

Anderson Kauã foi encontrado três dias depois por carroceiros que percorriam em uma área de mata. O menino estava debilitado e sem roupas, chegando a perder 10 quilos. Ele recebeu atendimento médico e passou cerca de 13 dias internado, sob cuidados físicos e psicológicos.

Depois de se recuperar, o menino contou às autoridades a dinâmica do desaparecimento. Ele relatou que os três entraram na mata por conta própria e acabarem se perdendo. Quando encontraram a “casa caída” Anderson teria se separado dos primos em busca de ajuda.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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