Greve de trabalhadores na Argentina afeta voos no Aeroporto de Guarulhos-SP

Gru Airpot informou que ao menos 16 voos foram cancelados por conta da paralisação na Argentina nesta quinta-feira (19)

Aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo

A Argentina enfrenta, nesta quinta-feira (19), uma greve geral de trabalhadores que são contra a reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei. A ação causa reflexos na operação de voos entre Buenos Aires e São Paulo.

De acordo com informações disponíveis no painel da Gru Airport, que administra o Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, quatro voos da companhia Gol foram cancelados, sendo três vindos de Buenos Aires e um com destino à capital argentina.

Já a Latam registrou um voo cancelado que vinha da Argentina a São Paulo.

Em nota, a Gru Airpot informou que “até o momento, há 16 voos cancelados no Aeroporto Internacional de São Paulo por conta da greve geral na Argentina”.

O que dizem as companhias aéreas?

O Grupo Latam informou “que precisou alterar sua operação de/e para a Argentina no dia 19 de fevereiro, devido à greve geral anunciada pela Confederação Geral do Trabalho da Argentina (CGT), diante da notificação formal de adesão dos sindicatos que representam os trabalhadores da Intercargo (empresa responsável pelos serviços de rampa em todos os aeroportos da Argentina). Diante disso, alguns voos poderão operar com alteração de horário e/ou data, sem necessariamente serem cancelados. Por isso, recomendamos que os passageiros verifiquem o status de seus voos antes de se dirigir ao aeroporto”.

A Gol também confirmou “que, devido à greve geral que impossibilitará todas operações aeroportuárias nas cidades de Buenos Aires, Córdoba, Mendoza e Rosário nesta quinta-feira (19/02), alguns voos de/para a Argentina que estavam programados para esta data foram cancelados. Os Clientes impactados estão sendo comunicados via e-mail, e podem remarcar seus voos sem custo para outras datas ou solicitar reembolso em créditos no site da GOL. Mais informações podem ser obtidas com a Central de Relacionamento pelo 0300 115 2121. Para compras com milhas, o Cliente deve procurar diretamente a Smiles pelos telefones 0300 115 7001 (Smiles ou Prata) ou 0300 115 7007 (Ouro Diamante)”.

A greve

A Confederação Geral do Trabalho (CGT), a maior central sindical da Argentina, convocou uma greve geral de 24 horas em protesto contra o projeto de reforma trabalhista do presidente Javier Milei.

O texto, já aprovado pelo Senado, pode ser discutido pelos deputados nesta semana ou na próxima. Segundo informações divulgadas pelos sindicalistas, a paralisação ocorrerá no dia em que a proposta for debatida pela Câmara dos Deputados.

Na prática, o projeto prevê, entre outras medidas, a redução de indenizações por demissão, a autorização de pagamentos em espécie (bens ou serviços), a extensão da jornada de trabalho para até 12 horas e a limitação do direito de greve dos trabalhadores. O governo de Milei espera que o texto seja votado pelos parlamentares no próximo dia 25 e aprovado até 1º de março.

A proposta, embora tenha sido aprovada pelos senadores, ainda pode receber modificações durante a tramitação na Câmara. Se aprovado, o texto pode promover uma das maiores mudanças na legislação trabalhista da história da Argentina — mudanças que os sindicatos consideram “regressivas” e “inconstitucionais”.

A CGT afirma que tentará barrar a reforma na Justiça caso o projeto vire lei. O argumento do governo é que as mudanças ajudarão a reduzir o emprego informal, que afeta mais de 40% do mercado de trabalho, além de criar novas vagas ao diminuir a carga tributária.

A senadora Patricia Bullrich, presidente da Comissão do Trabalho no Congresso, reuniu-se com Milei nesta segunda-feira na residência presidencial em Olivos.

Ela havia declarado anteriormente que não permitiria alterações no texto aprovado pelo Senado, mas, no domingo (15), admitiu que considera flexibilizar o polêmico artigo que reduz o salário do trabalhador à metade em caso de afastamento por doença.

O governo tenta impedir modificações no texto que o façam retornar ao Senado para nova aprovação, o que atrasaria a sanção da lei desejada por Milei antes de seu discurso em 1º de março, quando inaugurará as sessões parlamentares ordinárias.

*Com informações da AFP

Leia também

Yuri Cavalieri é jornalista e pós-graduado em política e relações internacionais. Tem mais de 13 anos de experiência em rádio e televisão. É correspondente da Itatiaia em São Paulo. Formado pela Universidade São Judas Tadeu, na capital paulista, começou a carreira na Rádio Bandeirantes, empresa na qual ficou por mais de 8 anos como editor, repórter e apresentador. Ainda no rádio, trabalhou durante 2 anos na CBN, como apurador e repórter. Na TV, passou pela Band duas vezes. Primeiro, como coordenador de Rede para os principais telejornais da emissora, como Jornal da Band, Brasil Urgente e Bora Brasil, e repórter para o Primeiro Jornal. Em sua segunda passagem trabalhou no núcleo de séries e reportagens especiais do Jornal da Band.

Ouvindo...