O governo argentino enfrenta nesta quinta-feira (19) a quarta greve geral, no dia em que a Câmara dos Deputados debate uma polêmica reforma trabalhista impulsionada pelo presidente Javier Milei, aprovada pelo Senado na semana passada.
A paralisação foi convocada pela principal central sindical do país, que considera as mudanças propostas pelo governo “regressivas”. A disputa ocorre em um contexto econômico que apresenta sinais de queda na atividade industrial, com mais de 21 mil empresas fechadas nos últimos dois anos e a perda de cerca de 300 mil postos de trabalho, segundo fontes sindicais.
O caso mais recente é o da Fate, a principal fábrica de pneus da Argentina, que nessa quarta-feira (18) anunciou o fechamento de sua planta em Buenos Aires e a demissão de mais de 900 trabalhadores, alegando perda de competitividade devido à abertura indiscriminada das importações.
“Queremos dizer ao governo que o povo não lhe deu o voto para que lhe tire direitos”, declarou nesta quarta-feira Cristian Jerónimo, um dos secretários-gerais da Confederação Geral do Trabalho (CGT), que antecipou que a manifestação será “contundente”.
Os principais sindicatos do transporte de passageiros aderiram inicialmente ao protesto. Além disso, 255 voos foram cancelados, em uma medida que afeta 31 mil passageiros, informou a Aerolíneas Argentinas.
Também aderiram os trabalhadores portuários, que paralisam importantes terminais como o de Rosário, um dos maiores exportadores de produtos agrícolas do mundo. A sessão na Câmara dos Deputados está prevista para começar às 14h (mesmo horário em Brasília).
O projeto que debatido pelos deputados reduz indenizações, permite pagamentos em bens ou serviços, estende a jornada de trabalho para 12 horas e limita o direito de greve, entre outros pontos.
O governo garante que as mudanças ajudarão a reduzir a informalidade, que atinge mais de 40% do mercado de trabalho, e a criar empregos ao diminuir a carga tributária para os empregadores.
Para avançar na discussão na Câmara dos Deputados, o partido do governo teve de eliminar do texto aprovado no Senado um polêmico artigo que reduzia o salário para entre 50% e 75% durante as licenças médicas.
Transporte público paralisado após convocação de greve geral
O Sindicato Geral das Associações de Trabalhadores do Transporte (UGATT) declarou em comunicado à imprensa que “adere e cumpre integralmente” a greve geral anunciada pela CGT. “Em defesa do trabalho argentino e em defesa do nosso direito à greve, não haverá transporte no dia em que a reforma trabalhista for debatida na Câmara dos Deputados”, detalha o documento.
Por sua vez, a empresa de ônibus Dota, responsável por uma parte das linhas de ônibus que trafegam na capital Buenos Aires, confirmou ao jornal argentino La Nación que não aderirá à greve geral convocada pela CGT para esta quinta-feira e que 65 linhas de ônibus prestarão serviço durante o dia.
O sindicato dos trabalhadores do metrô anunciou na noite de quarta-feira, em comunicado, que com o debate do projeto nesta quinta-feira haverá uma " paralisação total do metrô e do Premetro da meia-noite à meia-noite ". “Não podemos permitir que a reforma trabalhista avance, pois ela representa um profundo ataque aos direitos dos trabalhadores”, diz o comunicado.
Aeroportos têm voos cancelados durante greve
A paralisação de trabalhadores na Argentina causa impactos diretos nos voos do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. De acordo com informações disponíveis no painel da Gru Airport, administradora do terminal, quatro voos da companhia Gol foram cancelados, sendo três vindos de Buenos Aires e um com destino à capital argentina. Já a Latam registrou um voo cancelado que vinha da Argentina a São Paulo.
A BH Airport, responsável pela gestão do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, afirmou que “excepcionalmente neste mês de fevereiro não estamos com operação para Buenos Aires”.
(Sob supervisão de Alex Araújo)