Em um novo episódio de demonstração de força militar, o líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, supervisionou a apresentação oficial de um lançador múltiplo de foguetes de 600 milímetros projetado para o disparo de ogivas nucleares.
Segundo informações divulgadas pela agência estatal KCNA na noite desta quarta-feira, o governante descreveu o equipamento como uma tecnologia única no mundo, especificamente desenvolvida para cumprir o que chamou de “missão estratégica” — um termo frequentemente utilizado por Pyongyang como eufemismo para operações de natureza atômica.
Durante a cerimônia, Kim enfatizou que o novo sistema de armas servirá como um mecanismo de dissuasão contra inimigos não nominados, embora tenha adotado uma retórica agressiva ao afirmar que, caso a arma seja utilizada, “nenhuma força poderá esperar a proteção de Deus”.
O líder norte-coreano classificou o armamento como “maravilhoso”, consolidando a postura de Pyongyang de intensificar testes de mísseis e modernizar seu arsenal nos últimos anos.
A exibição ocorre em um momento de alta tensão na península. No mês passado, durante visita à fábrica de produção desses foguetes, analistas e autoridades em Seul já alertavam que tais armas teriam a Coreia do Sul como alvo principal.
O cenário de instabilidade foi agravado recentemente pelo abate de um drone de vigilância em território norte-coreano, incidente que colocou em risco os esforços diplomáticos do presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, para uma aproximação entre as nações.
Apesar do atrito, houve um raro sinal de distensão diplomática vindo de Kim Yo Jong. A influente irmã do líder norte-coreano declarou nesta quinta-feira que “valoriza enormemente” o compromisso de Seul em impedir novas incursões de drones.
Especialistas internacionais, contudo, ponderam que a contínua campanha armamentista do Norte possui objetivos pragmáticos: além de aprimorar a precisão de seus ataques contra os Estados Unidos e a Coreia do Sul, Pyongyang estaria testando tecnologias antes de uma possível exportação de armamentos para a Rússia.
Com informações de AFP