Saiba o que Zuckerberg pensa sobre demora do Instagram para detectar menores de 13 anos

Julgamento é o primeiro de uma série de processos que buscam estabelecer um precedente legal sobre a responsabilidade das gigantes de tecnologia

Executivo de 41 anos reconheceu que a empresa poderia ter agido com maior celeridade

Em um depoimento marcado por momentos de tensão e autocrítica, o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, admitiu nessa quarta-feira (18) que o Instagram demorou a implementar medidas eficazes para identificar e barrar usuários menores de 13 anos.

Falando perante um júri em Los Angeles, o executivo de 41 anos reconheceu que a empresa poderia ter agido com maior celeridade no passado, embora tenha defendido que, atualmente, as ferramentas de verificação de idade estão no patamar adequado.

O julgamento é o primeiro de uma série de processos que buscam estabelecer um precedente legal sobre a responsabilidade das gigantes de tecnologia na crise de saúde mental entre jovens americanos.

O caso central analisa se o Instagram, da Meta, e o YouTube, do Google, foram responsáveis pelos problemas psicológicos de Kaley G.M., hoje com 20 anos, que começou a utilizar as plataformas ainda na infância. Segundo dados internos apresentados no tribunal, em 2015 — época em que a demandante ingressou no aplicativo — o Instagram possuía cerca de 4 milhões de usuários abaixo da idade permitida, atingindo 30% das crianças americanas entre 10 e 12 anos.

Durante o interrogatório conduzido pelo advogado Mark Lanier, o tom da sessão oscilou entre a contenção inicial de Zuckerberg e sinais visíveis de incômodo. O bilionário gesticulou e balançou a cabeça enquanto era pressionado sobre a facilidade com que crianças burlavam os termos de uso, que Lanier descreveu como um texto inacessível para o público infantil.

O advogado argumentou que, durante o período de fiscalização branda, jovens como Kaley foram expostos a algoritmos desenhados especificamente para maximizar o tempo de permanência nas redes, uma estratégia que Zuckerberg admitiu ter sido um objetivo central da empresa no passado.

Diferente do TikTok e do Snapchat, que firmaram acordos confidenciais para evitar o tribunal, a Meta e o Google enfrentam o júri em um processo focado exclusivamente no design e nos recursos de personalização das plataformas. A estratégia jurídica das famílias contorna a imunidade legal das redes sobre conteúdos de terceiros, focando na premissa de que os algoritmos foram projetados deliberadamente para promover o uso compulsivo.

O desfecho deste caso, previsto para o final de março, ocorre em meio a um cerco jurídico crescente contra a Meta. Além do processo em Los Angeles, a empresa enfrenta um litígio federal em Oakland e uma ação no Novo México que a acusa de negligência na proteção de crianças contra predadores sexuais.

Enquanto Zuckerberg assegura que a missão da Meta é criar serviços úteis para a conexão humana, o tribunal decidirá se essa busca por engajamento cruzou a linha ética, alimentando epidemias de depressão, ansiedade e transtornos alimentares em uma geração inteira de usuários.

Com informações de AFP

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