Rota do Queijo de Minas reúne produtores e sabores premiados na Serra da Piedade
Além da inauguração da Cave Frei Rosário, o complexo histórico recebeu, nos dias 20 e 21 de junho, uma imersão cultural e gastronômica com música ao vivo e queijos premiados

O topo da Serra da Piedade não foi palco apenas de celebração histórica na inauguração da Cave Frei Rosário. Nos dias 20 e 21 de junho, das 12h às 18h, o complexo recebeu o primeiro evento oficial da Rota do Queijo de Minas. O festival, sob curadoria de Jordane Macedo, promoveu um encontro intimista entre o público, a boa música ao vivo e pequenos produtores que hoje posicionam a iguaria mineira entre as melhores do planeta.

Para os expositores, a altitude e a beleza do santuário em Caeté foram um atrativo à parte. "Já viajei quase o mundo inteiro. Poucos lugares têm uma beleza como essa, e eu não conhecia Caeté. O lugar é fantástico", destacou Luiz Antônio Guimarães, o "Tuca", nome à frente da prestigiada Queijaria Almeida Guimarães, de Itanhandu.
Histórias de sucesso: da Literatura francesa ao pódio mundial
A excelência do Queijo Minas Artesanal (QMA) ditou o tom das conversas entre as bancadas. Tuca Guimarães, cuja produção de Gran Mantiqueira Almeida Guimarães foi uma das estrelas de um dos cortes ao vivo na abertura da cave, compartilhou o orgulho pelo reconhecimento do público e uma história curiosa de bastidores:
"Eu e minha esposa estudamos muito para sermos referência. Saí em um livro francês recentemente, mas a escritora não sabia meu nome real, e sim meu apelido. Acabou publicando como 'Tuca' mesmo. Estar aqui e ouvir as pessoas dizendo que o nosso foi o melhor queijo que comeram é um privilégio que resume toda a nossa luta diária", revelou à Itatiaia.

A queijaria orgulha-se de ter conquistado a medalha de bronze na prestigiada ExpoQueijo e de ter desbancado os tradicionais produtores italianos de Grana Padano no último Mundial de Araxá, garantindo o terceiro lugar na competição.

Sustentabilidade e tradição à mesa
Anfitrião da região, o produtor Delmar Macedo, dos Queijos Emboabas (Caeté), enfatizou o papel da Rota do Queijo de Minas no fortalecimento da categoria. "Esse apoio é de uma valorização imensa para o QMA e para os pequenos produtores, que hoje se tornaram grandes pela qualidade", avalia. Delmar revelou ainda o segredo por trás do seu produto: "Nosso diferencial é o foco no bem-estar animal. Minhas vacas são tratadas com homeopatia, garantindo um leite totalmente livre de resíduos de antibióticos."

Quem também quebrou paradigmas durante o fim de semana foi Zé Célio, produtor do Queijo do Zé Célio (Santa Bárbara). Ele levou para a serra um QMA maturado por seis meses e se surpreendeu com a resposta do mercado.
"O queijo artesanal é reconhecido pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade. Eu tinha um pouco de dúvida se haveria muita saída, porque nem todo mundo gosta do queijo 'curadão', mais intenso. Mas, graças a Deus, a aceitação foi excelente. É muito prazeroso ver a pessoa provar, gostar e comprar", comemorou Zé Célio.

O sucesso do Requeijão Moreno com raspa de tacho
A culinária de Diamantina também marcou presença com Cristiano Almeida, do Sítio João de Barro. Além de seus queijos tradicionais, Cristiano levou ao evento o Requeijão Moreno, um produto de fabricação complexa feito no fogão a lenha que conquistou recentemente seu reconhecimento oficial. O sucesso foi tamanho que o lote trazido para o festival esgotou.
"Dá muito trabalho fazer. É um processo artesanal onde deixamos o leite azedar, tiramos a massa na temperatura certa e a lavamos no leite fresco para tirar a acidez. Depois, fritamos essa massa na manteiga extraída do próprio leite até dar a liga", explicou o produtor.
O segredo da coloração e textura do doce de tacho, segundo ele, está no tempo de fogo: "Para ele ficar moreno, deixamos passar um pouco do ponto tradicional de cozimento. A massa vai escurecendo e, no final, raspamos o tacho, trituramos essa raspa crocante e misturamos de volta. Vendemos tudo", concluiu orgulhoso.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.









