Dia Mundial do Queijo: título da Unesco transforma tradição em renda e turismo em Minas

Celebrado em 20 de janeiro, a data encontra o setor mineiro em plena expansão, impulsionado pelo turismo de experiência e pela profissionalização da gestão no campo

Selo internacional redesenha a economia rural com novas frentes de renda

Nesta terça-feira, 20 de janeiro, o mundo volta os olhos para uma das iguarias da gastronomia: o queijo. Em Minas Gerais, a celebração ganha um sabor especial após o reconhecimento dos “Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal” como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco.

Mais do que um título simbólico, o selo internacional redesenha a economia rural com novas frentes de renda para os pequenos produtores.

O “efeito Unesco” no turismo de experiência

O reconhecimento da Unesco em 2024 funcionou como um poderoso motor para o turismo. As fazendas mineiras deixaram de ser apenas locais de produção para se tornarem destinos turísticos desejados.

Visitantes nacionais e estrangeiros buscam o chamado turismo de experiência, onde podem acompanhar desde a ordenha até a maturação do queijo. Em regiões como a Serra da Canastra e o Serro, essa abertura das “porteiras” tem permitido que o produtor conquiste uma fatia maior do valor final, vendendo não apenas o produto, mas a história e a cultura do terroir mineiro.

Empreendedorismo: do campo para as prateleiras gourmet

A profissionalização é o outro pilar desta transformação. Empreender com queijo em 2026 exige uma visão que vai além da receita centenária.

Com o apoio de consultorias em gestão e marketing, produtores em regiões como Araxá, Triângulo Mineiro e Campo das Vertentes estão conseguindo acessar nichos de mercado em grandes centros urbanos e empórios de luxo.

Festivais de queijo são meios de estimular o consumo do queijo em Minas e no Brasil

Enquanto o leite in natura sofre com a volatilidade de preços, o queijo artesanal maturado alcança patamares de preço que garantem a sustentabilidade financeira e o sucessão familiar nas propriedades.

QMA x Queijo Artesanal de Minas

O Queijo Minas Artesanal não passa por nenhum processo mecânico/industrial. Sua fabricação é feita com leite cru (in natura), fermento natural (conhecido como pingo), coalho e sal, não recebendo tratamento térmico e sendo prensado de forma manual, conforme a tradição.

Já a classificação Queijo Artesanal de Minas é conferida a todos os outros queijos feitos com os mesmos ingredientes, mas por meio de processos diferentes.

Assim, todo queijo Minas Artesanal é um queijo artesanal mineiro; mas nem todo queijo artesanal mineiro é um queijo Minas Artesanal.

Desafios e futuro

Apesar do otimismo, o setor ainda foca na superação de gargalos logísticos e sanitários para ampliar as exportações. O objetivo é que o título da Unesco facilite o caminho para que o Queijo Minas Artesanal (QMA) esteja presente nas principais mesas do mundo, consolidando Minas Gerais como uma potência gastronômica global.

Rota do Queijo de Minas Gerais

A Rota do Queijo de Minas é um projeto da Culturar, produtora cultural de Jordane Macedo, que tem a proposta de promover os queijos de Minas Gerais. A empresa foi criada em dezembro de 2022, em São Roque de Minas, na região da Canastra, onde foram instaladas placas com QR CODES que levam a um mapa na plataforma Google Maps. Assim, visitantes têm acesso à rota com as principais queijarias da região.

Jordane, produtor cultural da Rota do Queijo de Minas

Além da Canastra, a plataforma opera na região de Araxá, na Serra da Mantiqueira de Minas, em Diamantina, na Serras da Piedade, no Caraça e no Mercado Central de Belo Horizonte, onde se pode encontrar os queijos de produtores participantes da Rota na capital mineira.

O site da Rota do Queijo de Minas traz informações como horário de funcionamento, formas de pagamento e prêmios que cada queijaria conquistou.

Série especial

Para debater o cenário do queijo mineiro, o Itatiaia Agro preparou a série especial ‘Somos do mundo, e agora? O cenário do Queijo Minas Artesanal após o título da Unesco’. A série foi premiada em segundo lugar na categoria Digital do 2° Prêmio de Jornalismo da Faemg.

Leia as reportagens da série:

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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