Carne bovina brasileira supera tarifaço e bate recorde em 2025 com US$ 18 bilhões

Dezembro manteve o ritmo acelerado das exportações com 347,4 mil toneladas

Exportações de carne bovina somaram 3,50 milhões de toneladas

O setor pecuário brasileiro consolidou o melhor ano de sua história em 2025. Dados do Ministério do Desenvolvimento (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), divulgados nesta quarta-feira (7), revelam que as exportações de carne bovina somaram 3,50 milhões de toneladas embarcadas — um salto de 20,9% em relação ao ano anterior.

A receita saltou 40,1%, totalizando US$ 18,03 bilhões. O resultado foi impulsionado pela carne in natura, que representou a fatia mais expressiva dos embarques, gerando sozinha US$ 16,61 bilhões.

China lidera e União Europeia surpreende

O Brasil ampliou sua presença internacional, alcançando mais de 170 países. A China reafirmou sua posição como o maior parceiro comercial do setor, absorvendo 48% de todo o volume exportado. No entanto, o destaque de crescimento percentual veio de outros mercados tradicionais e emergentes:

  • União Europeia: registrou um crescimento explosivo de 132,8% em volume.
  • Argélia e Egito: tiveram altas de 292,6% e 222,5%, respectivamente.
  • Estados Unidos: mesmo com desafios tarifários, cresceram 18,3%, consolidando-se como o segundo maior destino.

Resiliência e “Tarifaço” norte-americano

Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, o setor demonstrou maturidade ao enfrentar turbulências geopolíticas. “Mesmo com impactos temporários, como o tarifaço dos Estados Unidos, a indústria respondeu com rapidez e saiu ainda mais fortalecida”, afirmou o executivo.

Dezembro fecha com chave de ouro

O último mês do ano manteve o ritmo acelerado das exportações:

  • Volume: 347,4 mil toneladas.
  • Faturamento: US$ 1,85 bilhão.
  • Principais compradores: China (153,1 mil t), EUA (27,2 mil t) e Chile (17,0 mil t).

Perspectivas para 2026: Japão e Coreia do Sul no radar

Após dois anos de expansão agressiva, a ABIEC projeta para 2026 um cenário de “otimismo com realismo”. A meta agora é manter a estabilidade em patamares elevados e focar em mercados de alto valor agregado.

Negociações estão ativas para abrir ou ampliar a participação em três destinos estratégicos: Japão, Coreia do Sul e Turquia. “A visão é de um crescimento mais qualificado, com maior valor agregado e sempre atento às questões geopolíticas”, concluiu Perosa.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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