Um
A pesquisa, publicada na revista Nature Medicine por cientistas de Harvard, acompanhou mais de 4 mil mulheres e 1,4 mil homens por mais de 30 anos. Os pesquisadores analisaram sangue, genética e hábitos alimentares para entender como esses fatores afetam o cérebro ao longo da vida.
Os resultados revelaram que certos tipos de gordura no sangue aumentam o risco da doença, enquanto outros componentes, como alguns gliceróis, parecem proteger o cérebro. O estudo ainda mostrou que “as associações de 57 metabolitos com o risco de demência variaram segundo o genótipo APOE4 u outras variantes genéticas de risco”.
Segundo o geneticista Jorge Dotto, ouvido pelo site de notícias Infobae, “o estudo publicado na Nature mostrou que, embora portar a variante de risco de APOE4 multiplica entre três e doze vezes a probabilidade de desenvolver Alzheimer, a alimentação mediterrânea pode reduzir esse risco até um trinta e cinco por cento em quem tem mais predisposição genética”.
Ele destaca que o benefício vale também para quem não sabe seu perfil genético: “O mais importante, na população geral, é que a alimentação mediterrânea reduziu o risco de demência até um vinte e três por cento. Isso é chave porque a maioria da população não tem um estudo genético feito para saber as variantes de risco de Alzheimer”.
Dotto compara o impacto dos hábitos alimentares a uma arma descarregada: “A genética carrega a arma, mas a alimentação pode tirar essas balas”.
A dieta mediterrânea é baseada em frutas, verduras, legumes, peixes, azeite de oliva e pouco consumo de carne vermelha. Para quem já sabe que tem alto risco genético, o médico recomenda priorizar alimentos ricos em antioxidantes, como tomates, cenouras e espinafre; aumentar o consumo de azeite de oliva e peixes gordurosos; e reduzir alimentos ultraprocessados e gorduras saturadas.
Para ele, não se trata de restrições, mas de “escolher alimentos que falem o mesmo idioma do seu DNA”. Dotto conclui: “Se esses achados fossem de um medicamento, hoje haveria milhões de pessoas no mundo fazendo filas para comprá-lo. Não há pílulas mágicas. A ciência mostra que o natural, como os alimentos reais, continua sendo a melhor solução para nossa saúde”.