Início de ano é época de renovar metas, reorganizar a vida para o novo ano e também de fazer o famoso check-up anual, com todos os exames necessários para acompanhar como está a saúde tanto dos adultos quando dos idosos.
Segundo a geriatra Simone de Paula Pessoa Lima, não há uma lista fixa de pedidos laboratoriais, mas sim uma avaliação multidimensional. No geral, são solicitados o seguinte:
- o “básico” para todos: geralmente inclui hemograma (para avaliar anemias e infecções), glicemia, função renal e eletrólitos (sódio e potássio, muito afetados por medicamentos), perfil lipídico e função da tireoide (TSH). A dosagem de Vitamina B12 é fundamental, pois sua deficiência simula quadros de demência. Vitamina D sempre deve ser pedida.
- rastreio de silenciosos (aquelas condições/doenças que não tem muitos sintomas, mas que ficam mais comuns no envelhecimento): em destaque a Densitometria Óssea para prevenção de fraturas (diagnóstico de osteopenia/osteoporose) e, para pacientes com doenças crônicas como hipertensão e diabetes, o monitoramento rigoroso da hemoglobina glicada e da saúde cardiovascular (eletrocardiograma).
- rastreio de câncer: mamografia, ultrassom pélvico e papanicolau devem ser solicitados com critério, considerando a idade, a expectativa de vida e o benefício real para aquele indivíduo.
Também é necessário avaliar a memória e realizar uma avaliação de
“O mais importante é a individualização. Não faz sentido submeter um idoso em estado de fragilidade avançada (acamado, por exemplo) a exames invasivos ou preparos de colonoscopia extenuantes se o resultado não for mudar a conduta clínica ou não trouxer qualidade de vida. O objetivo do check-up no idoso não é apenas ‘achar doença’, é preservar a autonomia e evitar a polifarmácia”, destacou a médica.
Pontos de atenção
No idoso, é necessário prestar atenção em:
- perda de peso não intencional: no idoso, isso é um marcador de fragilidade ou neoplasia e deve ser investigado prontamente.
- mudanças no hábito intestinal ou urinário como alternância entre constipação e diarreia ou incontinência urinária: podem indicar desde desidratação, infecção até tumores.
- alterações de memória e comportamento: frequentemente negligenciadas como “coisa da idade”, mas que exigem avaliação cognitiva formal.
- quedas recorrentes: para um idoso, uma queda é um evento sentinela que exige revisão de exames de visão, equilíbrio e revisão da lista de medicamentos (polifarmácia).
- alterações laboratoriais súbitas: como uma queda na hemoglobina (anemia) ou uma alteração na creatinina, que em idosos pode indicar uma descompensação rápida da função renal.
Exames em adultos
Já para os adultos, devem ser levados em conta os seguintes pilares:
- perfil metabólico: glicemia de jejum e perfil lipídico (colesterol total e frações e triglicerídeos) para identificar precocemente o risco de diabetes e aterosclerose.
- saúde da mulher: coleta de citologia oncótica (Papanicolau) e, a partir dos 40 anos (ou antes, se houver histórico familiar), a mamografia anual ou bienal.
- saúde do homem: Avaliação urológica individualizada a partir dos 45-50 anos.
- prevenção de câncer colorretal: A colonoscopia passou a ser recomendada por diversas sociedades a partir dos 45 anos, devido ao aumento da incidência em adultos jovens.
- avaliação de pressão arterial: O rastreio clínico da hipertensão em toda consulta.