Especialista explica relação entre pancreatite aguda e uso de canetas emagrecedoras

Agência reguladora do Reino Unido alerta para casos de pancreatite grave associados ao uso de Ozempic, Mounjaro e Wegovy

Agência reguladora do Reino Unido alerta para casos de pancreatite grave associados ao uso de Ozempic, Mounjaro e Wegovy

A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA), equivalente à Anvisa no Reino Unido, emitiu um alerta sobre casos de pancreatite aguda grave em pacientes que fazem uso de medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, entre eles Ozempic, Mounjaro e Wegovy.

Governo do Reino Unido alerta para pancreatite grave associada a Mounjaro e Ozempic

Esses medicamentos pertencem à classe dos agonistas do GLP-1 e são indicados para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Embora o efeito colateral seja considerado raro, autoridades de saúde reforçam a importância de atenção aos sintomas.

O que é pancreatite

Segundo Mauro Jacome, especialista em endoscopia, cirurgia e gastroenterologia, a pancreatite aguda é uma inflamação súbita do pâncreas, órgão responsável pela produção de enzimas digestivas e hormônios ligados ao controle da glicose.

“A pancreatite pode variar de quadros leves até formas graves, com risco de complicações sistêmicas”, explica o especialista.

De acordo com Jacome, a literatura médica descreve uma associação incomum entre o uso dos agonistas de GLP-1 e episódios de pancreatite. O mecanismo exato dessa relação ainda não é totalmente conhecido, mas envolve alterações na estimulação do pâncreas e no metabolismo.

Relação das canetas emagrecedoras com a pancreatite

O especialista ressalta que a obesidade, condição comum entre os usuários desses medicamentos, já é um fator de risco independente para pancreatite, o que dificulta estabelecer uma relação direta e exclusiva com as medicações.

A pancreatite associada ao uso dessas canetas pode surgir tanto no início do tratamento quanto após uso prolongado. O risco é maior em pacientes que já apresentam fatores como histórico prévio da doença, cálculos biliares, consumo excessivo de álcool ou níveis elevados de triglicerídeos.

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“Esses fatores parecem ter mais peso no risco do que o tempo de uso do medicamento em si”, afirma Jacome, que reforça a necessidade de acompanhamento médico contínuo.

Principais sintomas da inflamação e tratamento

Entre os principais sintomas de alerta estão dor abdominal intensa na parte superior do abdome, que pode irradiar para as costas e piorar após a alimentação. Também podem ocorrer náuseas persistentes, vômitos, distensão abdominal, febre e mal-estar.

O especialista destaca que, diferentemente dos efeitos gastrointestinais leves esperados no início do uso dessas medicações, a dor da pancreatite é contínua, intensa e progressiva.

Ao perceber esses sinais, o paciente deve procurar atendimento médico imediato. Diante da suspeita de pancreatite, o uso do medicamento deve ser suspenso imediatamente, sempre com orientação médica.

Em casos confirmados, o tratamento da pancreatite deve ser iniciado e a continuidade ou não do uso da medicação deve ser avaliada de forma individual, considerando os riscos e benefícios para cada paciente.

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Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.

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