Autocoleta pode aumentar prevenção ao câncer de colo do útero; saiba mais

Quase 20 mulheres morrem da doença por dia no Brasil; autocoleta teve resultados parecidos com exames conduzidos por profissionais da saúde

Câncer de colo do útero é responsável pela morte de milhares de pessoas no país

Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) indica que a autocoleta de amostras para o diagnóstico do papilomavírus humano (HPV) pode se tornar uma estratégia que facilite a prevenção ao câncer de colo do útero.

A pesquisa comprovou que a possibilidade de coletar em casa amostras de urina e material vaginal são viáveis, confiáveis e se assemelham com os resultados obtidos em exames feitos por profissionais da saúde, como o cervical.

A autocoleta vaginal já é utilizada em diversos países que possuem programas de rastreamento da doença, como na Holanda, Austrália, Suécia e Dinamarca. As nações já registram um impacto positivo em relação a ampliação da cobertura populacional.

Mesmo com a vacinação contra o HPV prevista no calendário de imunização e a possibilidade da realização de exames de rastreamento, o câncer de colo do útero é responsável pela morte de milhares de pessoas no país.

Dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) indicam que a cada minuto uma pessoa é diagnosticada no mundo com um câncer atrelado a ao papilomavírus humano. No Brasil, cerca de 19 mulheres morrem por dia em razão do câncer, que é o que mais mata mulheres de até 36 anos no país.

Como o estudo foi feito?

Cem mulheres com mais de 21 anos foram recrutadas por pesquisadores do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) e ginecologistas Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP).

A maioria delas tinham entre 30 e 39 anos, sendo que todas já tinham sido encaminhadas para Unidades Básicas de Saúde (UBS) para a realização de colposcopia - exame ginecológico preventivo para analisar detalhadamente o colo do útero, a vagina e a vulva.

O grupo realizou três coletas sequenciais. As próprias participantes ficaram responsáveis pela coleta de urina e de material vaginal, enquanto a coleta cervical foi conduzida por um médico. Antes do procedimento, elas assistiram a um vídeo com orientações e responderam a um questionário para comprovar a compreensão das etapas.

Os resultados

As análises das amostras obtidas comprovaram que tanto a autocoleta de urina quanto a vaginal apresentaram resultados semelhantes com a coleta tradicional realizada por médicos, inclusive para a identificação do HPV16, um dos tipos mais associados ao câncer de colo do útero.

Para as participantes, a coleta de urina foi a mais confortável e menos constrangedora. Ainda assim, os dois métodos de autocoleta tiveram uma alta aceitabilidade quando comparados a exames convencionais.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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