O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), acionou nesta terça-feira (27) a Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), apontando “irresponsabilidade grave” na organização da caminhada promovida pelo parlamentar.
Na semana passada, Nikolas realizou uma caminhada de Paracatu, no interior de Minas Gerais, até Brasília. O trajeto teve cerca de 240 quilômetros e durou sete dias. A mobilização terminou no último domingo (25), com um ato na Praça do Cruzeiro, na capital federal.
Durante o encerramento do evento, uma forte chuva atingiu Brasília. Alguns manifestantes que estavam esperando por Nikolas na praça foram atingidos por um raio e acabaram sendo levadas para hospitais da região.
Segundo Lindbergh, o evento ocorreu sem comunicação prévia às autoridades competentes, com ocupação irregular da BR-040, e foi mantido mesmo diante de alertas meteorológicos que indicavam risco elevado.
Para o petista, os organizadores expuseram manifestantes e terceiros a um perigo concreto e previsível. No documento enviado à PGR, Lindbergh sustenta que não se trata de mera negligência, mas de possível dolo eventual.
Ele afirma que, mesmo após alertas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) sobre chuvas intensas, ventos fortes e risco de descargas elétricas, os organizadores optaram por manter a concentração de pessoas em área aberta.
“O resultado foi a incidência de um raio que deixou dezenas de pessoas feridas, algumas em estado grave, evidenciando que o risco era conhecido, previsível e deliberadamente ignorado”, afirma o documento.
Lindbergh também aponta que, após o ocorrido, Nikolas Ferreira — principal organizador e liderança do ato — não teria adotado providências para mitigar os danos, nem orientado a dispersão do público.
Para o parlamentar do PT, a liberdade de manifestação não autoriza a exposição deliberada de vidas humanas a perigo, e cabe à PGR apurar eventual responsabilidade penal pelos fatos.