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Procuradoria defende pesquisa eleitoral que apontou queda de Flávio Bolsonaro

Levantamento suspenso pelo TSE mediu os efeitos eleitorais de áudio em que Flávio Bolsonaro cobra recursos de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master

Por, Brasília
O senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
O senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) • Ton Molina/Agência Senado

A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) se manifestou contra a suspensão da pesquisa eleitoral da AtlasIntel que mediu o impacto, entre eleitores, de um áudio atribuído ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) em que ele cobra recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O posicionamento foi enviado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No parecer, a PGE sustentou que a metodologia utilizada pelo instituto não viola a legislação eleitoral e argumentou que pesquisas de opinião podem abordar temas de grande repercussão política, mesmo quando sejam desfavoráveis a determinados candidatos ou grupos partidários.

O posicionamento foi assinado pelo vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa. Segundo ele, a intervenção da Justiça Eleitoral em levantamentos desse tipo deve ocorrer apenas em situações excepcionais.

"É natural que institutos de pesquisa busquem indagar o eleitorado sobre temas políticos sensíveis, ainda que desagradáveis a uma determinada corrente partidária", afirmou o procurador.

A pesquisa foi suspensa em decisão liminar do ministro Kássio Nunes Marques, presidente do TSE, após pedido da defesa de Flávio Bolsonaro. A campanha do senador argumentou que a forma como o levantamento foi conduzido teria induzido os entrevistados a desenvolver uma percepção negativa sobre o pré-candidato.

Na gravação exibida pela AtlasIntel, Flávio aparece cobrando milhões de reais de Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ao determinar a suspensão do levantamento no último dia 8, Nunes Marques afirmou que algumas perguntas poderiam comprometer a neutralidade metodológica da pesquisa. Segundo o ministro, haveria indícios de que determinados questionamentos extrapolaram a simples aferição da opinião pública e introduziram elementos capazes de influenciar respostas relacionadas à intenção de voto, rejeição e imagem do pré-candidato.

No parecer enviado ao TSE, a PGE rebateu esse entendimento. Espinosa argumentou que o áudio foi apresentado aos entrevistados somente após as perguntas sobre intenção de voto. Dessa forma, segundo ele, os participantes já haviam registrado suas preferências eleitorais e não poderiam alterar as respostas após ouvir o conteúdo.

 

O procurador também destacou que outros institutos de pesquisa, como Quaest, Datafolha e Ideia, realizaram perguntas relacionadas ao caso envolvendo Flávio Bolsonaro, o que demonstraria que o tema passou a integrar o debate público e eleitoral.

Impacto

A pesquisa da AtlasIntel apontou uma queda de seis pontos percentuais nas intenções de voto do senador após a divulgação do episódio.

O julgamento sobre a manutenção ou não da suspensão já começou no plenário virtual do TSE. A análise, no entanto, foi interrompida após pedido de vista da ministra Estela Aranha. Ainda não há data para a retomada do julgamento.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio