‘Maior escândalo judicial do mundo’, diz Gilmar Mendes sobre operação Lava Jato
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes participou do Programa Roda Viva nesta segunda-feira (22)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes refletiu que a Operação Lava Jato começou como a maior operação de combate à corrupção do mundo, mas se transformou no maior escândalo judicial do mundo. O magistrado criticou, principalmente, o que ele chamou de “as prisões alongadas de Curitiba”. As declarações foram ditas durante participação do ministro no Programa Roda Viva, nesta segunda-feira (22).
Gilmar Mendes lembrou que, na época da operação, foi voto vencido. “A gente começou como o voto vencido e depois acabou com o voto vencedor. Inicialmente, eram advertências que se faziam na linha ‘não vamos por aí’. Eu ainda me lembro dizendo, nós temos um encontro marcado com as prisões alongadas de Curitiba. Parecia um mantra, vocês vão se lembrar. Isso se tornou verdade e todo aquele caos que foi revelado na operação Spoof, na operação Vaza Jato, nos envergonham hoje”, afirmou o ministro.
Durante a entrevista, o ministro comparou a Operação Lava Jato com alguns elementos dos julgamentos envolvendo as investigações do escândalo do Banco Master. Na última semana, Gilmar Mendes votou contra a manutenção da prisão preventiva do pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, e sugeriu a substituição da detenção por prisão domiciliar com monitoramento eletrônico. De acordo com o ministro, alguns elementos levantam preocupações diante das semelhanças com a Operação Lava Jato.
“Inicialmente nós tivemos a substituição dos relatores de Toffoli para André Mendonça. Em seguida, o ministro André libera uma ordem que havia sido dada pelo então relator no sentido de não permitir que a cpi ou a cpm e fizesse aquela quebra de sigilo e houve aquilo que nós conhecemos a quebra de sigilo inclusive de conversas íntimas. Depois tivemos as prisões de sicário, em seguida, notícia da morte de sicário… muitos vazamentos, prisões de familiares… são elementos que levam a pelo menos uma preocupação”, afirmou.
A votação
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter as prisões de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, e de Felipe Vorcaro, primo do empresário, alvos da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF).
Por 3 votos a 1, os ministros referendaram a decisão individual do relator do caso, André Mendonça, que havia determinado as prisões preventivas. Também votaram pela manutenção das medidas os ministros Luiz Fux e Nunes Marques. Gilmar Mendes foi o único a divergir, defendendo a conversão da prisão preventiva de Henrique Vorcaro em prisão domiciliar e a soltura de Felipe Vorcaro.
Segundo as investigações, Henrique e Felipe teriam atuado para auxiliar Daniel Vorcaro na ocultação de recursos supostamente provenientes de um esquema de fraudes no sistema financeiro ligado ao Banco Master. O ministro Dias Toffoli não participou do julgamento após se declarar impedido. Neste ano, o magistrado informou ser sócio do Resort Tayayá, empreendimento que foi adquirido por um fundo de investimento controlado pelo Banco Master.
Henrique e Felipe Vorcaro foram presos em 14 de maio durante a sexta fase da Operação Compliance Zero. A investigação da Polícia Federal apura suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master e à tentativa de aquisição da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público vinculado ao Governo do Distrito Federal. Após as prisões, a defesa dos investigados afirmou que as medidas cautelares não se justificam diante dos fatos apurados e contestou os fundamentos apresentados pela investigação.
Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo
Jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH) e pós-graduado em Jornalismo nos Ambientes Digitais pela mesma instituição. Possui experiência como repórter, produtor e coordenador de telejornal.




