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Nunes Marques manda retirar pesquisa do ar após pedido de Flávio Bolsonaro

Decisão atende a pedido do PL, que alegou que perguntas sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master influenciaram as respostas dos entrevistados

Por, Brasília
O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE
O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE • Carlos Moura/SCO/STF

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, determinou nesta segunda-feira (9) a retirada de circulação de uma pesquisa eleitoral realizada pelo Instituto AtlasIntel que apontava queda nas intenções de voto do pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, após a revelação dos áudios enviados por ele a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A decisão atende a um pedido apresentado pelo Partido Liberal (PL), que alegou irregularidades na formulação do questionário aplicado aos entrevistados. O levantamento havia sido divulgado em maio, pouco depois do vazamento de um áudio atribuído ao senador, na qual ele cobra de Vorcaro o repasse de dinheiro para a produção de 'Dark Horse', filme cujo personagem principal é Jair Bolsonaro, ex-presidente e pai do candidato.

Segundo a decisão, a AtlasIntel deverá retirar o conteúdo de seus canais oficiais e apresentar ao tribunal documentação técnica complementar para demonstrar a regularidade da metodologia utilizada na pesquisa. O caso ainda será analisado pelo plenário do TSE em sessão prevista para esta terça-feira (10).

Questionário é alvo de contestação

Na ação, o PL argumentou que parte das perguntas teria sido elaborada de forma a influenciar a percepção dos entrevistados sobre Flávio Bolsonaro.

De acordo com o partido, oito das 49 perguntas do levantamento tratavam diretamente do Banco Master, de Daniel Vorcaro e do conteúdo do áudio vazado. As questões teriam sido apresentadas em sequência, criando uma narrativa que poderia induzir respostas negativas sobre o senador.

Outro argumento apresentado foi que o áudio utilizado como base para algumas perguntas não teria autenticidade comprovada.

Ministro vê indícios de indução

Ao analisar o caso, Nunes Marques afirmou que a discussão não se limita a divergências metodológicas, mas envolve a possibilidade de utilização do questionário como instrumento de indução dos entrevistados.

Na decisão, o magistrado destacou que a controvérsia envolve uma "alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado".

O presidente do TSE também observou que outras 27 pesquisas realizadas anteriormente pelo instituto não utilizaram questionários com conteúdo semelhante nem recorreram à veiculação de áudios durante as entrevistas.

Para o ministro, há indícios de que a metodologia adotada possa ter comprometido a neutralidade da coleta de dados e influenciado os resultados divulgados.

O levantamento ouviu 5.032 eleitores entre os dias 13 e 18 de maio. Segundo a AtlasIntel, a margem de erro era de um ponto percentual e o nível de confiança de 95%.

Os resultados apontaram uma queda de cinco pontos percentuais nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro em relação a levantamentos anteriores.

Agora, além da apresentação de esclarecimentos técnicos pela empresa, o caso também será analisado pelo Ministério Público Eleitoral, que deverá emitir parecer antes do julgamento definitivo pelo plenário do TSE.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio