PL que ‘devolve’ moradores de rua para cidades natais é aprovado em 1º turno na Câmara de BH

A proposta estabelece que essas pessoas precisam estar, comprovadamente em situação de vulnerabilidade social e apresentar vínculos familiares e comunitários com as cidades de origem

Pessoas em situação de rua

A Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) aprovou por maioria, em primeiro turno, o Projeto de Lei (PL) 227/2025, que institui um “programa” para que pessoas que estejam em situação de rua na capital mineira, mas sejam de outros municípios, retornem para seus locais de origem.

O texto, que leva o nome “De Volta Para Minha Terra” — em alusão a um quadro do “Programa do Gugu”, exibido nos anos 2000 — tem como objetivo, segundo o autor, vereador Vile Santos (PL), “oferecer apoio” para as pessoas que estão em situação de rua em BH.

A proposta estabelece que essas pessoas precisam estar, comprovadamente em situação de vulnerabilidade social e apresentar vínculos familiares e comunitários com as cidades de origem.

Na justificativa do projeto de lei, Vile argumenta que uma pesquisa realizada pela prefeitura apontou que “30% dessas pessoas (em vulnerabilidade social) demonstram interesse em retornar para sua cidade de origem, onde possuem vínculos sociais e familiares”.

“Proposta humanista” e “Projeto inócuo”

O autor do texto, Vile Santos, afirma que o projeto é “humanista” e rebate acusações da esquerda de que a proposta seria “higienista”. “Esse projeto, nada mais, nada menos, visa identificar, cadastrar essas pessoas em situação de rua e ver quem está com vontade de voltar para casa e proporcionar esse retorno, seja em qual outra cidade ou outro estado”, defende.

“Não é nada higienista você procurar a pessoa, conversar com ela, identificar o problema dela. E, se caso ela quiser voltar, você oferecer apoio. Você oferecer comida, você oferecer um recurso, você oferecer a passagem, você oferecer o amparo, você ligar para a prefeitura local onde ela vai ser recebida”, concluiu.

O líder da bancada do PT na Câmara, Pedro Patrus, por sua vez, afirmou que o projeto já é contemplado por políticas públicas da prefeitura e classificou o texto como “inócuo”.

“Primeiro, nós discutimos um projeto que a gente entende que era um projeto que já existe através do Sistema Único de Assistência Social, que é um projeto projeto que existe as normativas, o próprio poder Executivo já desenvolve o trabalho de acolhimento, de passagem de volta, de vínculos com com com a terra natal das pessoas. Então a gente achava que o projeto realmente era um projeto inócuo de um vereador que não conhece nenhuma dessas políticas públicas que existem na cidade”, defende.

Caso de Florianópolis

Caso semelhante já é uma realidade em Santa Catarina, no município de Florianópolis. O prefeito Topázio Neto (PSD) anunciou, no último domingo (2), que a prefeitura irá implementar um sistema de “controle de chegada” de pessoas na cidade.

De acordo com ele, o município já teria instalado, na rodoviária local, um posto avançado da assistência social para identificar quem chega a Florianópolis sem emprego ou moradia. Nesse caso, esses passageiros receberam uma passagem de volta para o local de origem.

Topázio Neto afirmou, nas redes sociais, que cerca de 500 pessoas já teriam sido “devolvidas”.

Após críticas, o prefeito negou as acusações de “controle migratório”, mas afirmou que a cidade não seria “depósito de pessoas em situação de rua”.

Leia também

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

Ouvindo...