Última semana de Zema: relembre promessas do governador nos dois mandatos

Em mais de sete anos no comando de Minas, governador teve êxitos e malogros na tentativa de cumprir planos de governo

Romeu Zema em cerimônia de posse para seu segundo mandato, em janeiro de 2023

Nesta segunda-feira (16), Romeu Zema (Novo) começa sua semana derradeira como governador de Minas Gerais, posto que ocupou por mais de sete anos. No domingo (22), ele passará o bastão para o vice, Mateus Simões (PSD), e se concentrará na pré-campanha à Presidência da República. A Itatiaia recuperou os planos de governo apresentados pelo chefe do Executivo mineiro em 2018 e 2022 para avaliar quais propostas foram cumpridas nestes últimos 2630 dias e quais ficaram pelo caminho.

Para o pleito de 2018, quando Zema surgiu como um azarão e venceu o embate no segundo turno, o plano de governo registrado na Justiça Eleitoral pelo então candidato focava na ideia de redução da máquina estatal e corte no que ele classificava como regalias do serviço público.

Sobre a gestão do estado, uma das primeiras propostas tratava sobre a redução do secretariado. Zema, de fato, cortou as pastas, que eram 21, para 12. Na virada para o segundo mandato, o número subiu para 14 com a instalação das secretarias de Comunicação Social e de Casa Civil. De qualquer forma, houve um enxugamento de 30% em relação à máquina comandada por seu antecessor, Fernando Pimentel (PT).

Outro ponto presente no plano de governo e cumprido por Zema logo no primeiro mandato foi a recusa do Palácio das Mangabeiras como residência oficial. O governador mora em uma casa na Pampulha, em Belo Horizonte, fato que reitera como exemplo de feito de sua gestão sempre que tem a oportunidade.

A mudança na residência oficial, no entanto, veio acompanhada de propostas não cumpridas pelo governador. Elas foram listadas em uma seção batizada de “Mudança Cultural” no documento de plano de governo para a campanha de 2018.

“Mudança cultural: Algumas medidas podem não significar grandes reduções no gasto público, mas são essenciais para extinguir o paradigma de privilégios. Assim, haverá o retorno da sede do governo para a Cidade Administrativa, destinando o uso Palácio Liberdade para um museu de regalias; o salário do governador será reduzido; helicópteros oficiais não serão utilizados para fins privados; o Palácio das Mangabeiras não será utilizado como moradia, entre outros”, diz o trecho do plano.

Em 2024, já no segundo mandato, Zema aumentou o próprio salário e o de seus secretários em quase 300%. O uso de aeronaves oficiais, outro ponto muito criticado pelo governador em campanha, não reduziu em seu mandato e incluiu sua cidade natal, Araxá, na rota, como mostrou a Itatiaia.

Isenções fiscais sob sigilo

No plano de governo da campanha de 2018, Zema prometeu atacar os sigilos conferidos a benefícios concedidos a empresas. O documento tem uma seção chamada “Abertura da caixa preta” em que são elencadas as seguintes propostas:

“Na atual cultura governamental algumas empresas e setores recebem mais subsídios que outras,sem transparência e comprovação dos seus benefícios para sociedade.Esta é uma velha prática que mantém privilégios Se cria barreiras para o mercado. É necessário acabar e dar transparência a este sistema para dar lugar à livre concorrência e garantir a igualdade de oportunidades”.

Na prática, Zema não apenas não revelou os regimes especiais de tributação como desautorizou Simões a fazê-lo. Em declaração feita na última segunda-feira (9) durante o lançamento do novo Portal da Transparência, o governador reiterou sua ideia de que tais informações exigem sigilo.

“Essa questão é como se fosse um segredo industrial. Nós não vamos dar publicidade a isso porque seria extremamente pernicioso para o Estado de Minas. Mas eu posso assegurar que na minha gestão nós não criamos nenhum tipo de incentivo fiscal. O que nós fizemos foi dar continuidade ao que já existia anteriormente. Então é como se você desse para os concorrentes a fórmula do seu produto e nós não daremos”, declarou.

Privatizações e PPPS

A formulação de parcerias público-privadas (PPPs) e a privatização de ativos estatais são pontos centrais nos planos de governo apresentados por Zema em 2018 e 2022. Embora os documentos não falem sobre empresas específicas, o governador atuou para viabilizar desestatizações ao longo de seus sete anos à frente do estado e foi bem sucedido em parte delas.

A Cemig, por exemplo, integra a agenda privatista mal sucedida do governador. Por outro lado, na esteira do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), Zema conseguiu aprovar na Assembleia Legislativa (ALMG) pautas como a venda da Copasa e da Companhia de Desenvolvimento (Codemge).

As privatizações do Metrô de BH e da Rodoviária da capital, além da concessão de debas de estradas estaduais, estão entre outros feitos de Zema em sua agenda de desestatizações.

A agenda de PPPs de Zema foi marcada por tentativas de cumprimento do previsto nos planos de governo que esbarraram na oposição ao governo no Legislativo e nos órgãos de controle que barraram os modelos apresentados pelo Executivo. É o caso da implementação de Organizações Sociais de Saúde (OSS).

Nas escolas estaduais, o projeto Somar previa delegar à iniciativa privada as atividades de gestão das instituições de ensino. A iniciativa foi barrada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) e pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) sob a justificativa de falta de informações essenciais no edital da ação.

Hospitais regionais

Na área da saúde, os planos de governo de Zema em 2018 e 2022 davam atenção especial à finalização das obras dos hospitais regionais.

“Em continuidade ao esforço iniciado em 2019, pretendemos finalizar a entrega dos Hospitais Regionais de forma a reduzir os vazios assistenciais e reorganizar a rede de atenção regional, por meio de concessão e parcerias público-privadas”, diz trecho do plano de 2022.

Nos momentos finais de sua gestão, o governador organizou agendas públicas sobre o tema anunciando o fim das obras nas unidades de Divinópolis e de Teófilo Otoni. O hospital de Sete Lagoas deve ficar pronto no segundo semestre, já sob a gestão de Simões.

As obras nos hospitais de Juiz de Fora, Governador Valadares e Conselheiro Lafaiete ainda não foram entregues.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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