Com costuras ainda abertas e as eleições gerais se aproximando, tanto esquerda quanto direita, em Minas Gerais, terão períodos críticos de negociações das candidaturas majoritárias nos primeiros meses de 2026. O ano de 2025 terminou com indefinições de ambos os lados do espectro político, com poucos nomes estabelecidos no xadrez eleitoral e com diálogos em aberto tanto no PT quanto no PL, principais representantes da esquerda e da direita, respectivamente.
À esquerda, as possibilidades estão em construção depois que o senador Rodrigo Pacheco (PSD), preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deu sucessivos sinais de que não concorreria ao pleito com o apoio do petista. As conversas chegaram a cogitar um apoio ao ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), mas as tratativas não avançaram dentro do partido por ora.
Então, os olhos viraram para o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Tadeu Leite (MDB), que foi cortejado pelo presidente Lula durante agenda em Minas Gerais. Contudo, o cenário ainda segue indefinido. Parte do partido, inclusive, defende que o PT lance um nome próprio para o governo do estado, garantindo, desta forma, um palanque para Lula da disputa em Minas – todas as possibilidades serão analisadas pela executiva estadual nos primeiros meses deste ano.
A presidente estadual do PT, deputada estadual Leninha, informa que haverá uma reunião do diretório estadual do partido no final de janeiro, onde serão discutidas opções para a sigla em Minas Gerais. “Acabamos de constituir o grupo de trabalho eleitoral, com participação ampla do diretório. Temos plena convicção que temos que cuidar das nossas chapas de deputados estadual e federal, é nossa tarefa, uma busca ativa de nomes para as duas chapas. No Senado, a Marília é nossa candidata, se apresentou como nossa candidata ao Senado na última reunião”, explica.
“Ainda estamos discutindo se o número dois vai ser do PT ou não, é nossa candidata prioritária. Onde está mais embolado é a questão do governo. Temos consciência da dificuldade que temos no estado. Quando achamos que Pacheco não viria, não conseguimos conversar com ele. Esse era o projeto número um, um plano A. Como ainda estava em dúvida, vamos fazer a discussão para pensar alternativas, inclusive com nomes próprios. Beatriz Cerqueira, Margarida Salomão, Macaé, Reginaldo Lopes são possibilidades”, acrescenta a petista.
Apesar da construção, o principal objetivo do PT, segundo Leninha, é garantir o melhor desenho político para a reeleição do presidente Lula em Minas Gerais. “Temos uma reunião para o fim de janeiro para apresentar o nome. Precisamos ampliar o leque de alianças para o palanque de Lula em Minas. Estamos conversando com os partidos, não com os candidatos. Vamos definir qual é o melhor desenho político para a reeleição de Lula. Nós vamos construir o que for melhor para a reeleição do Lula”, conclui.
À direita, o único nome consolidado na disputa é o do vice-governador, Mateus Simões (PSD), que chegou a trocar de partido para ampliar sua viabilidade eleitoral, deixando o Novo em outubro de 2025. Até abril, o vice-governador deve assumir o posto de chefe do Executivo para que seu correligionário, Romeu Zema (Novo), se lance como candidato à Presidência da República.
O PL, de Jair Bolsonaro, não definiu qual caminho deve seguir em Minas, mas há conversas nos bastidores que indicam um possível apoio à candidatura de Simões ao Palácio Tiradentes. Entretanto, oficialmente o presidente estadual da sigla, Domingos Sávio, afirma que nada está definido.
“Estamos conversando sobre o caminho do PL em relação ao governo do estado de MG, mas isso ainda não está definido. Nossa prioridade neste momento é a defesa da anistia e a eleição de Flávio Bolsonaro”, disse à reportagem. A expectativa, segundo ele, é que a definição seja tomada já nos primeiros meses do ano que vem.
Havia a possibilidade de que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) disputasse o cargo, mas ele também deu indicativos de que não deve concorrer à cadeira no ano que vem e que, possivelmente, tentará a reeleição. Após conversa com Jair Bolsonaro, um dia antes de o ex-presidente ser preso, Nikolas disse ter tomado uma “decisão humilde” sobre seu futuro político, indicando que não deve tentar pular para o Executivo em 2026.
Em paralelo, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que desponta nas pesquisas de intenção de voto como o favorito pelo eleitorado para o governo de Minas, mantém suspense sobre o lançamento de sua candidatura. Por diversas vezes, o parlamentar afirmou que só trataria sobre eleições no ano que vem, e sustentou que passaria 2025 com foco no seu mandato no Congresso Nacional.
Ao centro, desenha-se uma candidatura solo do ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (MDB). O emedebista, que largou na lanterna e chegou ao quarto lugar nas eleições de 2024 para a prefeitura da capital mineira, tenta se viabilizar, especialmente, no interior do estado, onde tem mantido agendas constantes nos últimos meses desde que lançou sua candidatura em novembro de 2025.