Durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (10), no Congresso Nacional, o presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, destacou o legado histórico da sigla e afirmou que o PT quer se consolidar como “o partido do futuro” e liderar debates centrais da agenda política e econômica do país.
A coletiva ocorreu após sessão solene em homenagem aos 46 anos do partido, com a presença da bancada petista na Câmara. Segundo Edinho, o momento marca não apenas uma celebração, mas uma etapa de reflexão estratégica sobre os próximos passos da legenda: “O PT reconhece o seu legado, mas quer ser também o partido da esperança e da transformação. Um partido capaz de responder aos desafios do Brasil do século XXI”, afirmou.
Edinho ressaltou que o PT é o único partido brasileiro a vencer cinco eleições presidenciais e associou a trajetória da legenda a políticas públicas estruturantes, como o Bolsa Família, o Prouni, o Minha Casa Minha Vida, o PAC e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde.
Segundo ele, o partido também se diferencia pela defesa da democracia participativa, do orçamento participativo e do combate às desigualdades sociais, ao racismo, ao machismo, à misoginia e à homofobia.
Congresso do PT vai discutir agenda de futuro
O presidente do PT anunciou que o partido realizará, em abril, seu oitavo congresso nacional, com o objetivo de atualizar o programa partidário e construir uma agenda voltada para temas como transição energética, emergência climática, desenvolvimento tecnológico e novo modelo econômico.
Entre as prioridades citadas estão a Nova Indústria Brasil, o aproveitamento estratégico das terras raras, a democratização da educação e o fortalecimento do SUS.
Edinho defendeu a redução da jornada de trabalho como um debate “urgente e global”, diante das transformações tecnológicas e do avanço da inteligência artificial: “Estamos produzindo mais com menos força de trabalho. Se não enfrentarmos esse debate, ficaremos fora da realidade. É preciso aumentar a produtividade preservando tempo para a família, o estudo e o lazer”, afirmou. Ele também citou a defesa da tarifa zero no transporte público como uma pauta estratégica para democratizar o acesso à mobilidade urbana.
Autonomia do Banco Central e investigações
Questionado sobre a declaração do presidente da Câmara, Hugo Motta, de que não pretende pautar a revisão da autonomia do Banco Central, Edinho afirmou que nenhum tema estrutural deve ser interditado no Congresso: “O debate fortalece a democracia. Mesmo que não haja votação, discutir é essencial para construir sínteses”, disse.
Sobre o Banco Master, Edinho elogiou a postura da bancada do PT favorável às investigações e afirmou que apurar denúncias é fundamental para preservar a credibilidade do sistema financeiro brasileiro: “O que não pode acontecer é a politização das investigações. Investigar para proteger as instituições é positivo”, afirmou.
Alianças para 2026 e papel de Alckmin
Edinho confirmou que o PT vai dialogar com todos os partidos que hoje integram a base do governo Lula para construir a aliança de reeleição em 2026. Segundo ele, a continuidade do atual governo é fundamental para a democracia e para a reconstrução do país. Sobre o vice-presidente Geraldo Alckmin, afirmou que ele é amplamente respeitado dentro do partido e terá liberdade para disputar o cargo que desejar nas próximas eleições.
O presidente do PT detalhou articulações regionais em estados como Minas Gerais, Paraíba, Maranhão, Amazonas e Pará, com foco na construção de palanques fortes para a reeleição de Lula e na ampliação das bancadas federal e estadual.
Em Minas, Edinho citou o nome do senador Rodrigo Pacheco como uma liderança relevante no campo democrático. Já no Maranhão, afirmou que o partido trabalhará pela unidade para transformar a alta votação de Lula no estado em fortalecimento institucional do campo progressista.
Edinho também afirmou que o PT pretende investir na eleição de representantes dos povos indígenas para o Congresso Nacional e Assembleias Legislativas, após diálogo com lideranças indígenas em todos os estados do país.
Haddad é principal ministro do governo, diz Edinho
Ao final da coletiva, Edinho classificou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como a principal liderança do governo Lula atualmente: “É um governo de muitas entregas, e não tenho dúvida de que hoje o ministro Fernando Haddad é o principal ministro do governo. Ele pode disputar qualquer cargo eletivo no Brasil”, afirmou, destacando que qualquer decisão futura será respeitada pelo partido.