Intoxicação em piscina de academia: manobrista diz que ‘seguia ordens’ de sócio do local

Mistura de cloro feita por manobrista em São Paulo é suspeita de ter causado a morte de uma mulher e a intoxicação de outras quatro pessoas

Manobrista Severino José da Silva

A defesa do manobrista Severino José da Silva, que fez a mistura de cloro na piscina da academia C4 GYM, na zona leste de São Paulo, reconheceu que ele não tinha habitação técnica para realizar a atividade. No entanto, a advogada Bárbara Bonvizini afirmou Severino só “obedeceu ordens”.

Severino confirmou em depoimento que recebia ordens de um sócio da academia sobre a mistura do cloro que deveria ser aplicada na piscina. As mensagens eram trocadas por meio de WhatsApp.

“Era como funcionava a empresa, eu sigo ordens”, confirmou o manobrista na saída da delegacia após prestar depoimento nesta terça-feira (10).

Câmeras de segurança registraram o momento em que Severino preparou a mistura para despejar na água da piscina. O produto não chegou a ser lançado na água, mas o balde com a mistura foi deixado ao lado piscina, o que espalhado algo tóxico no ar.

A combinação da substância feita pelo profissional sem habitação técnica é apontada como a principal causa de uma reação química suspeito de ter provocado a morte de Juliana Bassetto, de 27 anos, e a intoxicação de outras quatro pessoas intoxicadas para o hospital.

Segundo o Delegado-Geral da Polícia Civil, Artur Dian, os alunos foram vítimas de intoxicação por cloro adulterado. Dian afirmou que o cloro colocado na água estava misturado com um produto ainda não identificado.

Entenda como tudo aconteceu

No último sábado (7), Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morreu e outras quatro pessoas precisaram ser hospitalizadas após uma intoxicação na piscina do local. As vítimas participavam de uma aula de natação na academia.

Segundo relatado por testemunhas, os alunos perceberam um forte odor químico, seguido de ardência nos olhos, no nariz e nos pulmões, além de episódios de vômito.

Juliana chegou a ser socorrida e levada a um hospital em Santo André, mas não resistiu após sofrer uma parada cardíaca. O marido da vítima e outros três alunos também foram encaminhados para atendimento médico, alguns deles em estado grave.

Uma das vítimas, um adolescente de 14 anos, foi hospitalizado com complicações nos pulmões e permanece sob cuidados médicos.

De acordo com o delegado Alexandre Bento, titular do 42º Distrito Policial, os responsáveis pela academia fecharam o estabelecimento e abandonaram o local sem comunicar a polícia. Para que o Instituto de Criminalística e o Corpo de Bombeiros pudessem realizar a perícia, foi necessário arrombar o imóvel.

O caso foi registrado como morte suspeita e perigo para a vida ou saúde de outrem. A Polícia Civil iniciou diligências para localizar e intimar os proprietários e gerentes da academia, que devem prestar esclarecimentos.

O que diz a academia C4 GYM

Em nota, a direção da Academia C4 GYM disse que “lamenta profundamente o ocorrido em sua unidade no último sábado (07/02), informa que prestou imediato atendimento a todos os envolvidos e que tem mantido contato direto com as pessoas a fim de oferecer todo o suporte. Reforça, ainda, que está colaborando integralmente com as autoridades competentes, contribuindo com tudo aquilo que for necessário”

Leia também

Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.

Ouvindo...