Vídeo: funcionário prepara produtos químicos e leva mistura até piscina onde mulher morreu em SP

Imagens do circuito de segurança da academia mostram momento em que manobrista deixa balde na área da piscina durante aula de natação

Flagrante mostra momento em que balde com produtos químicos foi levado à área da piscina

Imagens do circuito de segurança da academia onde uma mulher morreu após passar mal durante uma aula de natação mostram o momento da possível causa da intoxicação.

Na filmagem, é possível ver o funcionário responsável pela limpeza da piscina preparando uma mistura de produtos químicos em um balde. Em seguida, em um outro flagrante, o homem leva o material até a área da piscina e deixa o balde no local.

Confira as imagens

Segundo a Polícia Civil de São Paulo, o conteúdo da mistura foi o responsável pela intoxicação que levou à morte de uma aluna e à internação de outros cinco nesse sábado (7).

Ainda de acordo com as investigações, o funcionário responsável pela preparação e aplicação dos produtos químicos da piscina atuava também como manobrista.

Entenda o caso

Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, sofreu uma parada cardíaca após passar mal durante uma aula de natação em uma academia da Zona Leste da cidade de São Paulo. Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do estado, Artur Dian, Juliana e outras quatro pessoas internadas após usarem a piscina da academia foram vítimas de intoxicação por cloro adulterado.

“Não temos o laudo definitivo ainda. Mas, em um primeiro momento, a gente sabe que foi uma intoxicação por cloro misturado por algum outro produto”, confirmou o delegado à imprensa.

Como é possível notar pelas imagens divulgadas, o funcionário preparou a mistura química e a deixou próxima à piscina, aguardando o término da aula para despejar o produto na água. O ambiente, descrito como fechado e com pouca ventilação, favoreceu a exalação de gases tóxicos ainda no balde, antes mesmo de qualquer aplicação na piscina.

Dessa forma, cerca de nove alunos que participavam da aula de natação na academia foram intoxicados por vias aéreas ao inalarem os produtos químicos.

“Como era um ambiente muito fechado, começaram a exalar os gases e as pessoas foram asfixiadas”, explicou o delegado durante coletiva.

Outras vítimas

O marido de Juliana está entre os outros alunos vítimas da intoxicação. O homem ainda segue internado em estado grave. Além dele, um adolescente de 14 anos também permanece hospitalizado, respirando com auxílio de aparelhos.

O pai do adolescente relatou à polícia que exames apontaram que o pulmão do filho estava “cheio de bolinhas”, resultado da inalação das substâncias químicas. Durante a aula, o jovem apresentou fraqueza nas pernas e dificuldade para respirar.

Outras duas pessoas já receberam alta médica. O professor responsável pela aula também passou mal, mas não chegou a procurar atendimento hospitalar e ajudou no socorro aos alunos.

Interdição e irregularidades

Ainda segundo a Polícia Civil de São Paulo, a academia onde tudo aconteceu funcionava sem alvará de funcionamento e não possuía autorização para operar a piscina. Além disso, o local apresentava instalações elétricas precárias. Essas e outras irregularidades administrativas serão apuradas no inquérito. O estabelecimento foi interditado pela Vigilância Sanitária neste domingo (8).

Investigações

Apesar da gravidade do ocorrido, os responsáveis pelo estabelecimento não acionaram a polícia. O local fica em frente a uma delegacia, mas precisou ser arrombado para que a perícia técnica fosse realizada. Peritos entraram no imóvel utilizando máscaras, cilindros de oxigênio e com apoio do Corpo de Bombeiros.

O balde mostrado nas imagens, com cerca de 20 litros da mistura química, foi apreendido e será periciado pela investigação. A polícia aguarda os laudos técnicos para identificar exatamente quais produtos foram utilizados e como ocorreu a reação química.

A investigação trabalha com a possibilidade de homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas há negligência, imprudência ou imperícia.

“Houve, em tese, negligência, imprudência ou imperícia que resultou na morte de uma jovem que tinha uma vida toda pela frente. Vamos responsabilizar criminalmente os responsáveis pela academia”, afirmou o delegado durante a coletiva de imprensa.

A Polícia Civil segue ouvindo testemunhas e busca identificar formalmente os responsáveis pela administração do estabelecimento.

O que diz a academia?

Em nota, publicada nas redes sociais da rede de academias, o estabelecimento onde as vítimas teriam se intoxicado lamentou a morte de Juliana. Ainda no texto, a academia afirma acompanhar o estado de saúde das demais vítimas e relata “rigorosa apuração interna” para esclarecimento do fato.

Além da unidade onde o caso aconteceu, no bairro Parque São Lucas, a academia informou que todas as demais, na cidade de São Paulo, vão permanecer fechadas nesta segunda-feira (9).

Confira a nota na íntegra:

"É com profundo pesar que recebemos a notícia do falecimento de uma de nossas alunas. Estamos totalmente solidários à família e aos amigos, tendo nos colocado à disposição para todo o apoio necessário neste momento difícil.

Seguimos acompanhando de perto o estado de saúde dos demais alunos afetados e também prestando todo o apoio possível.

Gostaríamos de esclarecer que, assim que tomamos conhecimento do ocorrido, interrompemos imediatamente as atividades da piscina, acionamos o socorro e seguimos todas as orientações das autoridades competentes.

Estamos conduzindo uma rigorosa apuração interna e também colaborando com as autoridades competentes e com a investigação. Reforçamos nosso compromisso com a transparência junto aos nossos clientes, colaboradores, parceiros e autoridades.

Em sinal de respeito e luto, as unidades próprias, na cidade de São Paulo, permanecerão fechadas nesta segunda-feira.

Assim que tivermos novas informações confirmadas pelos órgãos responsáveis, voltaremos a nos manifestar por meio de nossos canais oficiais.

Atenciosamente,
Direção da C4 GYM”

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

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