A
O estabelecimento foi interditado pela Vigilância Sanitária neste domingo (8). Entre as vítimas, um adolescente de 14 anos segue internado em estado grave, respirando com auxílio de aparelhos.
A morte de Juliana Faustino Bassetto é investigada como resultado de uma possível intoxicação por inalação de gases tóxicos liberados por uma mistura de produtos químicos utilizados na limpeza da piscina. De acordo com a polícia, a academia também apresentava instalações elétricas precárias e outras irregularidades administrativas, que agora também serão apuradas no inquérito.
Relembre o caso
O caso aconteceu na noite de sábado (7), durante a última aula de natação do dia. Segundo as investigações, o responsável pela preparação e aplicação dos produtos químicos da piscina era um funcionário que atuava também como manobrista.
Segundo a polícia, o funcionário preparou a mistura química e a deixou próxima à piscina, aguardando o término da aula para despejar o produto na água. O ambiente, descrito pela como fechado e com pouca ventilação, favoreceu a exalação de gases tóxicos ainda no balde, antes mesmo de qualquer aplicação na piscina.
“Como era um ambiente muito fechado, começaram a exalar os gases e as pessoas foram asfixiadas”, explicou o delegado durante coletiva. A mistura, segundo a Polícia Civil, não chegou a ser despejada na piscina, mas foi suficiente para contaminar o ar do local e provocar intoxicação por vias respiratórias.
Ainda segundo a polícia, haviam nove alunos participando da aula no momento do incidente. Graças à ação rápida do marido de Juliana, que percebeu que algo estava errado e começou a pedir para que todos deixassem a piscina imediatamente, um número maior de mortes foi evitado.
As vítimas
Juliana Faustino Bassetto chegou a ser socorrida, mas teve o quadro agravado e morreu após sofrer uma parada cardíaca. O marido dela ainda segue internado em estado grave. Um adolescente de 14 anos também permanece hospitalizado, respirando com auxílio de aparelhos.
O pai do adolescente relatou à polícia que exames apontaram que o pulmão do filho estava “cheio de bolinhas”, resultado da inalação das substâncias químicas. Durante a aula, o jovem apresentou fraqueza nas pernas e dificuldade para respirar.
Outras duas pessoas já receberam alta médica. O professor responsável pela aula também passou mal, mas não chegou a procurar atendimento hospitalar e ajudou no socorro aos alunos.
Investigações
Apesar da gravidade do ocorrido, os responsáveis pelo estabelecimento não acionaram a polícia. O local fica em frente a uma delegacia, mas precisou ser arrombado para que a perícia técnica fosse realizada. Peritos entraram no imóvel utilizando máscaras, cilindros de oxigênio e com apoio do Corpo de Bombeiros.
Um balde com cerca de 20 litros da mistura química foi apreendido e será periciado. A polícia aguarda os laudos técnicos para identificar exatamente quais produtos foram utilizados e como ocorreu a reação química.
A investigação trabalha com a possibilidade de homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas há negligência, imprudência ou imperícia.
“Houve, em tese, negligência, imprudência ou imperícia que resultou na morte de uma jovem que tinha uma vida toda pela frente. Vamos responsabilizar criminalmente os responsáveis pela academia”, afirmou o delegado durante a coletiva de imprensa.
A Polícia Civil segue ouvindo testemunhas e busca identificar formalmente os responsáveis pela administração do estabelecimento.
Posicionamento da academia
Em nota, publicada nas redes sociais da rede de academias, o estabelecimento onde as vítimas teriam se intoxicado lamentou a morte de Juliana. Ainda no texto, a academia afirma acompanhar o estado de saúde das demais vítimas e relata “rigorosa apuração interna” para esclarecimento do fato.
Além da unidade onde o caso aconteceu, no bairro Parque São Lucas, a academia informou que todas as demais, na cidade de São Paulo, vão permanecer fechadas nesta segunda-feira (9).
Confira a nota na íntegra:
"É com profundo pesar que recebemos a notícia do falecimento de uma de nossas alunas. Estamos totalmente solidários à família e aos amigos, tendo nos colocado à disposição para todo o apoio necessário neste momento difícil.
Seguimos acompanhando de perto o estado de saúde dos demais alunos afetados e também prestando todo o apoio possível.
Gostaríamos de esclarecer que, assim que tomamos conhecimento do ocorrido, interrompemos imediatamente as atividades da piscina, acionamos o socorro e seguimos todas as orientações das autoridades competentes.
Estamos conduzindo uma rigorosa apuração interna e também colaborando com as autoridades competentes e com a investigação. Reforçamos nosso compromisso com a transparência junto aos nossos clientes, colaboradores, parceiros e autoridades.
Em sinal de respeito e luto, as unidades próprias, na cidade de São Paulo, permanecerão fechadas nesta segunda-feira.
Assim que tivermos novas informações confirmadas pelos órgãos responsáveis, voltaremos a nos manifestar por meio de nossos canais oficiais.
Atenciosamente,
Direção da C4 GYM”