Itatiaia

Decisões de Fachin para amenizar crise no STF foram autônomas, dizem interlocutores

Apesar das críticas pela falta de urgência, entorno de Fachin avalia postura de neutralidade do ministro como boa estratégia pública para fugir da polarização e estancar a crise no Supremo

PorBrasília
Reprodução/STF

Apesar de ter mantido conversas com integrantes do governo e representantes de outros órgãos, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, tomou de forma isolada as principais decisões para tentar estancar a crise que se instalou na Corte. Interlocutores ouvidos pela Rádio Itatiaia afirmam que o ministro participou ativamente das articulações nos bastidores, mas preservou a autonomia para definir as medidas adotadas.

Nesta quarta-feira (9), Fachin suspendeu decisões conflitantes dos ministros André Mendonça e Flávio Dino sobre manter Andrei Rodrigues e Leandro Almada na direção-geral e na chefia do departamento de Inteligência da Polícia Federal (PF).

O presidente do Supremo também determinou que novas investigações envolvendo os ministros da Corte dependam de análise prévia da presidência da Corte e convocou uma sessão extraordinária do plenário para a próxima terça-feira (15).

Segundo pessoas próximas a Fachin, o presidente do Supremo vinha atuando para conter o desgaste desde o início do embate entre Mendonça e a cúpula da Polícia Federal (PF). Nos últimos dias, Fachin teria assumido o papel de interlocutor entre os diferentes lados, em conjunto com o advogado-geral da União, Jorge Messias. Foram realizadas reuniões entre integrantes do Judiciário em busca de uma saída para a crise.

Antes de Mendonça determinar o afastamento de Andrei, Fachin se reuniu em caráter emergencial com Messias e com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva. Também houve um encontro de emergência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada.

Neutralidade foi usada estrategicamente

Interlocutores do Judiciário avaliam que a postura mais reservada adotada por Fachin ao longo da crise acabou fortalecendo o ministro para atuar como mediador quando o conflito atingiu um ponto considerado insustentável. Porém, afirmam que integrantes do gabinete do ministro passaram a incentivá-lo a assumir uma postura mais incisiva diante da escalada da crise.

O comportamento mais discreto, de acordo com o entorno do ministro, favoreceu a neutralidade na associação pública a qualquer um dos lados. Dessa forma, Fachin conseguiu preservar interlocução com a Procuradoria-Geral da República (PGR), a Polícia Federal e diferentes setores do Judiciário.

A postura, portanto, permitiu a Fachin apresentar suas decisões como uma tentativa de reorganizar institucionalmente o conflito, e não como uma vitória de um dos grupos envolvidos na disputa.

Apesar disso, a atuação do presidente do Supremo foi alvo de críticas. Antes das decisões desta quarta-feira, ministros da Corte demonstraram incômodo com o que consideravam falta de senso de urgência de Fachin. A avaliação era de que a demora em intervir.

Interlocutores próximos ao ministro também reconhecem que Fachin deixou os integrantes da Corte com ampla liberdade de atuação antes da escalada do conflito. Nesse contexto, voltou a ganhar força internamente a discussão sobre a criação de um código de ética para os ministros do Supremo, que é defendida também por Fachin.

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Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.

 

 

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