Os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União AP), não vão comparecer à cerimônia marcada para esta quinta-feira, dia 8, no Palácio do Planalto, que vai lembrar os três anos dos ataques golpistas às sedes dos Três Poderes.
Nos bastidores do governo, a avaliação é que a ausência das principais lideranças do Congresso vai além de compromissos de agenda e sinaliza resistência a pautas do Executivo, especialmente em meio ao debate sobre o chamado PL da Dosimetria, que trata da redução de penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha decidido vetar o projeto, aliados relatam que a decisão de manter o veto fora da cerimônia desta quinta-feira foi reforçada justamente pelo esvaziamento político do evento. A estratégia do Planalto é preservar o ato como um momento institucional de homenagem às instituições democráticas, deixando a assinatura do veto para sexta-feira, dia 9.
Mesmo sem a presença dos chefes do Legislativo, o Palácio do Planalto manteve a programação. A cerimônia deve reunir ministros de Estado, autoridades do Judiciário, representantes da sociedade civil e movimentos sociais. Também está prevista uma manifestação na Praça dos Três Poderes, organizada por entidades que defendem a democracia.
Outros parlamentares já informaram que não participarão do evento. O deputado Rogério Correia não estará presente por estar de férias. Mário Heringer também não irá, em razão do recesso parlamentar. A deputada Duda Salabert ainda não confirmou presença, enquanto o deputado Zé Silva comunicou que não comparecerá.
Segundo integrantes da organização, o governo pretende consolidar o 8 de Janeiro como um marco político a ser reafirmado anualmente. O objetivo é reforçar a mensagem de que os ataques às instituições não serão esquecidos e que a defesa da democracia e da soberania nacional segue como eixo central do discurso do Executivo.
No ano passado, a cerimônia contou com a presença do então presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco, e do vice-presidente do Senado, Veneziano Vital do Rêgo. Em contrapartida, o então presidente da Câmara, Arthur Lira, era aguardado, mas não compareceu após alegar um problema de saúde de um familiar.