Repercussão negativa e pressão da oposição fazem governo desistir de rastrear PIX

Não haveria taxação, mas Receita Federal poderia aferir a renda do trabalhador por meio do rastreio das transferências

Fazenda cancela medida de rastreio de PIX

O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou, na tarde desta quarta-feira (15), a revogação da medida que rastrearia transferências de PIX em valor superior a R$ 5 mil. As fake news que alardearam uma suposta taxação do PIX e a pressão da oposição, representada por parlamentares como o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o deputado federal, Nikolas Ferreira (PL), fizeram o governo desistir da Instrução Normativa, divulgada pela Receita Federal no últmo dia 8.

O governo federal já havia esclarecido que não haveria taxação do PIX. No entanto, as polêmicas não pararam. O motivo é simples. Apesar de não taxar a transação, o governo conseguiria rastrear melhor as transferências financeiras e, com isso, monitorar a renda do trabalhador.

Imposto de Renda
No Brasil, a renda é tributada. Todos os anos, o brasileiro é obrigado a informar a Receita Federal o quanto ganha por mês. O cidadão paga ao governo percentuais diferentes e progressivos, de acordo com o valor que arrecada por sua força de trabalho.

A partir deste ano, o trabalhador com renda mensal de até R$ 3.036 reais ficará isento, no entanto, quem recebe valor superior será tributado. O valor da tabela de Imposto de renda, em tese, não tem nada a ver com o medida para informar transações de PIX. No entanto, uma instrução normativa publicada pelo governo na semana passada acendeu o debate.

Determinação da Receita
A Receita Federal determinou que todas as transferências por meio de PIX com valor superior a R$ 5 mil reais sejam informadas ao fisco. A medida não cria uma nova tributação. No entanto, dará à receita dados para aferir a renda do trabalhador. Sendo assim, o cidadão que tiver renda superior a taxa de isenção e não declarar, pode cair na temida malha fina e terá que prestar contas ao governo.

Aumento de arrecadação
A medida veio em paralelo ao anúncio do governo, confirmado no final do ano passado, de aumentar a faixa de isenção, que até 2026 deve passar de aproximadamente R$ 3 mil para R$ 5 mil. Ao mesmo tempo que vai aumentar o número de pessoas isentas, o que reduz a arrecadação da União. Ao monitorar melhorar a renda dos que ganham mais de R$ 5 mil reais, o governo federal poderia reduzir a sonegação, o que aumentaria o montante arrecadado pela Receita, compensando a perda com a ampliação da faixa de isentos.

Oposição
A oposição viu no anúncio do governo a oportunidade de dizer que a gestão federal de Lula quer arrecadar mais, alcançando muitos trabalhadores que estão na informalidade. A divulgação de informações deturpadas ou não precisas provocou um caos no Brasil e tomou conta das redes sociais.

Engajamento
Políticos e especialistas, muitos em busca de engajamento, foram pra internet falar de PIX. A oposição sustenta o argumento de que o governo quer aumentar a arrecadação e com isso estaria “perseguindo” a população mais pobre, tentando tributar a renda de trabalhadores informais.

Estratégia do governo
E o governo, para inibir as fake news e os adversários, adotou uma estratégia forte para criminalizar quem está divulgando informações deturpadas sobre o tema. O novo ministro da Secretaria de Comunicação do Governo, Sidônio Palmeira, falou, inclusive, em “crime” por parte de opositores

Os parlamentares da base também entraram na guerra. O deputado federal federal Guiherme Boulos (PSOL) anunciou que vai processar o deputado federal Nikolas Fereira por causa do vídeo viral que ele fez falando do PIX.

Desistência

No fim das contas, o governo federal acabou desistindo da medida por muitos avaliarem que teria sido “um tiro no pé". Com isso, a oposição ganha força para sustentar que haveria taxação, mesmo a possibilidade estando descartada.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast “Abrindo o Jogo”, que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

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