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Ministra da Saúde minimiza pressão de ala do Congresso e diz que relação é de ‘diálogo’

Nísia Trindade afirmou que relação com o Parlamento é ‘republicana’ e pautada por interesses do SUS

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, minimizou, nesta sexta-feira (26), a pressão sofrida por parte do Congresso Nacional — especialmente de parlamentares do “Centrão”. Segundo ela, em entrevista exclusiva à Itatiaia, a relação com o Legislativo é “republicana” e marcada por “diálogo”.

“A política de saúde é do Sistema Único de Saúde (SUS). Ela é republicana e tem de ser para fortalecer a saúde da população. Minha relação com o Congresso é de diálogo e defesa dos interesses. Eu mesma tenho reuniões com bancadas de estados e partidos específicos e coloco as demandas da saúde. A questão da política trato nos marcos de visão da democracia, da República e de defesa do SUS”, disse.

Nísia está em Belo Horizonte para, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), participar da inauguração de uma fábrica de insulina em Nova Lima, na Região Metropolitana da capital.

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Durante a entrevista, a ministra afirmou não fazer distinções entre congressistas da base aliada a Lula e da oposição. “A saúde tem essa característica: temos de tratar com todos”, assinalou.

Em março, durante uma reunião com Lula e colegas de governo, Nísia relatou as pressões sofridas no cargo. Ela chegou a se emocionar durante a fala.

“Eu trato, quase que semanalmente com o presidente Lula, dos pontos principais da pasta. O presidente Lula, em público, tem manifestado convicção de que a saúde está no rumo certo e que é importante fortalecer essa política”, pontuou.

Sem dicotomia

Em meio a reivindicações de parte do Congresso e de setores do PT por mais espaço no Ministério da Saúde, Nísia refutou a existência de uma dicotomia entre quadros técnicos e políticos.

“Não vejo a vida entre técnicos versus políticos. Sou uma pesquisadora com 37 anos de saúde pública. Particularmente na gestão da Fiocruz, lidei com o atual presidente da Câmara, que já era liderança da Câmara. Lidei com senadores - à época o senador Alcolumbre (era o presidente do Senado) e deputados de todos os partidos, que me perguntavam aquilo que o Ministério da Saúde não dizia: o que fazer frente à Covid. Então, tenho uma longa experiência nesse tipo de relação”, explicou.

“É claro que o governo federal nos coloca em outro desafio, que busco cumprir tendo clareza do que estamos fazendo: garantir fortalecimento do SUS para qualidade de saúde da população, retomando programas como o Farmácia Popular e ampliando o Mais Médicos, que chega, agora, a 25 mil médicos no país”, completou.


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Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.
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