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Marina após falas de Zema sobre Norte e Nordeste: ‘Sem a Amazônia, não há como ter vida nas outras regiões’

Em entrevista, governador de Minas Gerais defendeu maior protagonismo político dos estados das regiões Sul e Sudeste

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), disse neste domingo (6) que o tamanho da população não pode ser o único critério para definir o peso político de cada região brasileira. Ela respondeu a uma pergunta da Itatiaia durante o evento Diálogos Amazônicos, em Belém (PA), sobre a entrevista de Romeu Zema (Novo) ao jornal Estado de S.Paulo.

O governador de Minas Gerais defendeu que estados do Sul e do Sudeste formem um consórcio e atuem em bloco na defesa de seus interesses no Congresso Nacional. Como justificativa, ele citou que o grupo representa 56% da população brasileira, é responsável por 70% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e, por isso, mais do que protagonismo econômico, quer protagonismo político. O governo de Minas foi procurado para comentar a repercussão da entrevista, mas preferiu não se posicionar neste momento.

“Não vi a fala do governador e não sei o contexto, mas o que posso dizer é que as chuvas no Sul, Sudeste e Centro-Oeste são produzidas pela Amazônia. Os povos originários da Amazônia são responsáveis pela maior parte da preservação dessa floresta: 75% do PIB da América do Sul está relacionado às chuvas produzidas pela Amazônia”, disse Marina Silva.

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Ainda de acordo com a ministra, não há como o Brasil ter agricultura e indústria sem a Amazônia e , sem a floresta, também não haveria condições de vida nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste “porque a ciência diz que seria um deserto como o do Atacama”. “Portanto, não é uma questão de quantidade em termos de peso populacional. É uma questão de trabalharmos com o princípio da justiça ambiental e do Produto Interno Bruto (PIB) dos serviços ecossistêmicos que são gerados por essa região”, concluiu Marina.

Guajajara pede punição

No mesmo evento, a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara (PSOL), pediu que Zema seja punido pelas declarações. “Nem precisa a gente comentar. Basta julgar e aí puni-lo porque isso é racismo institucionalizado, que promove essa separação dos estados. A gente sabe que isso não convém, principalmente vindo de um governador”, declarou ela.

O Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud) mencionado por Zema existe desde 2019, mas deve ser formalizado nos próximos meses com a aprovação de projetos de lei nas respectivas Assembleias Legislativas. Além de Minas, integram a iniciativa São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Zema deu como exemplo a atuação do Cosud em relação à reforma tributária, no qual os governadores do grupo conseguiram impor uma mudança na composição do Conselho Federativo, que será responsável por gerir o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Na prática, pelo texto aprovado pelos deputados federais, os estados do Sul e Sudeste terão mais peso do que os de Norte e Nordeste.

“Eles queriam colocar um conselho federativo com um voto por estado. Nós falamos, ‘não senhor’. Nós queremos (votação) proporcional à população. Por que (com) sete Estados em 27, iríamos aprovar o quê? Nada. O Norte e Nordeste é que mandariam. Aí, nós falamos que não. Pode ter o Conselho, mas proporcional. Se temos 56% da população, nós queremos ter peso equivalente”, disse o governador ao Estadão.

Também sobre a reforma tributária, Zema criticou que apenas estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste terão acesso a um fundo para combate à desigualdade social. “Agora, e o Sul e o Sudeste não têm pobreza? Aqui todo mundo vive bem, ninguém tem desemprego, não tem comunidade...Tem, sim. Nós também precisamos de ações sociais”, declarou o governador.

“Então Sul e Sudeste vão continuar com a arrecadação muito maior do que recebem de volta? Isso não pode ser intensificado, ano a ano, década a década. Se não você vai cair naquela história, do produtor rural que começa só a dar um tratamento bom para as vaquinhas que produzem pouco e deixa de lado as que estão produzindo muito. Daqui a pouco as que produzem muito vão começar a reclamar o mesmo tratamento. É preciso tratar a todos da mesma forma”, concluiu Zema na entrevista

Repórter de política na Rádio Itatiaia. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. Em Belo Horizonte, teve passagens pelas rádios Alvorada, BandNews FM e CBN. No Grupo Bandeirantes de Comunicação, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na BandNews FM BH. Cobriu as tragédias ambientais da Samarco, em Mariana, e da Vale, em Brumadinho. Vencedor de 8 prêmios de jornalismo. Em 2023, venceu o Prêmio Nacional de Jornalismo CNT.
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