Em apenas 30 dias que estiveram ao mesmo tempo à frente dos poderes Executivos da União e do estado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador Romeu Zema (Novo) trocaram afagos e alfinetadas.
Após uma campanha disputada e acirrada, em que estiveram de lados opostos (Zema apoiou Jair Bolsonaro para a presidência e Lula apoiou Alexandre Kalil para o governo de Minas) e trocaram críticas em público, as primeiras divergências começaram ainda durante a transição.
A bancada do PT pediu que a concessão do metrô de Belo Horizonte e da Ceasa Minas fossem canceladas por Lula por meio de decreto presidencial. No dia 15 de dezembro, atendendo ao pedido dos petistas e da equipe de transição de Lula, o Ministério da Economia
Já a concessão do metrô de BH, obra apontada por Zema como prioridade para os próximos anos, foi mantida após momentos de turbulência e muitas negociações. No dia 20 de dezembro, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) chegou a enviar um ofício para o Ministério da Economia para cancelar o leilão do metrô, mas após ligação de Zema, Alckmin mudou de posição e declarou apoio à concessão.
A obra foi
Em janeiro,
‘Vista grossa’ irrita petistas
Outro momento conturbado entre Zema e Lula aconteceu após uma declaração do governador mineiro sobre os atos antidemocráticos do dia 8 de janeiro.
Apesar de ter classificado os atos como “inaceitáveis” e ido a Brasília para encontro dos governadores com Lula no dia seguinte aos atos de vandalismo na capital federal, semanas depois uma declaração de Zema
“Me parece que houve um erro da direita radical, que é minoria.
Vários ministros do governo Lula, como Flávio Dino e Paulo Teixeira, rebateram a fala de Zema. “Me espanta que o governador Zema tente vestir a roupa do Bolsonaro. Não cabe nele. É preciso que tenha algum amigo sincero que diga a ele. Porque Minas Gerais é a terra de Tiradentes, de Tancredo Neves, é a terra da democracia. Então, não é possível que um governador, de modo vil, se alinhe à extrema direita para proteger terroristas”, afirmou o ministro da Justiça, Flávio Dino.
Retorno a Brasília
Na semana passada, Zema voltou a Brasília para encontro de Lula com os governadores. O chefe do Palácio Tiradentes
No encontro, Lula afirmou que pretende governar com parcerias com todos os estados e que divergências ideológicas não vão atrapalhar a relação com os governadores.
“Durante a campanha vale as críticas, vale os abusos, vale um tanto de coisa, mas depois que você ganha a eleição, você deixa de ser candidato e passa a ser governante. E é preciso ter um comportamento civilizado com os entes para que o país possa dar certo”, disse Lula aos governadores.
O presidente convidou os governadores presentes para um almoço, mas Zema não participou do evento e voltou para BH mais cedo.
Ao desembarcar na capital mineira, o governador disse que não poderia ficar em Brasília porque tinha um compromisso de agenda já marcado, a inauguração da Biblioteca Pública do Estado, na Praça da Liberdade.
Zema, no entanto, disse esperar uma boa relação com Lula. “A relação é a melhor possível. É uma relação boa que, com o tempo, só vai melhorar. Muitos governadores já tinham compromissos e saíram antes do almoço. Fomos convidados de última hora, então ficaria difícil para alguns estar remarcando compromissos”, explicou.