A cena é clássica: o gato apoia suas patinhas em movimentos ritmados em lugares macios, aquele gesto carinhoso chamado “amassar pãozinho”, muitas vezes acompanhado de um ronronar satisfeito.
Esse comportamento é, na verdade, um reflexo instintivo e multifacetado que revela muito sobre o bem-estar e a história evolutiva dos felinos. Longe de ser apenas um capricho, o ato de amassar representa uma soma de memórias, comunicação e necessidades físicas.
A explicação mais aceita para o “amassar pãozinho”, também conhecido como “fazer pão” ou “kneading” em inglês, remonta à primeira infância do gato.
Quando filhotes, eles instintivamente massageiam as glândulas mamárias da mãe para estimular a liberação do leite durante a amamentação. Essa ação se associa naturalmente a sensações de conforto, segurança e nutrição.
“O ato de amassar remete a uma memória de calor, segurança e bem-estar que o gato experimentou nos primeiros dias de vida”, explica um artigo da Best Friends Animal Society, uma organização de bem-estar animal dos Estados Unidos.
Assim, quando um gato adulto amassa, ele está repetindo essa sensação de contentamento e segurança, geralmente em momentos de relaxamento extremo. Além da conexão com a amamentação, o amassar também serve a propósitos mais práticos e sociais para o felino, aponta o artigo.
Uma das razões é a preparação do local de descanso. Antes de se deitar, gatos selvagens amassavam a folhagem ou grama para criar uma superfície mais confortável e para verificar a presença de predadores ou presas.
Esse instinto persiste em gatos domésticos, que utilizam as patinhas para “arranjar” seu lugar favorito para uma soneca.
O ato de amassar é também uma forma sutil, mas eficaz, de demarcação de território. Isso porque as patas dos gatos possuem glândulas odoríferas que liberam feromônios, substâncias químicas que transmitem mensagens para outros animais da mesma espécie.
Ao amassar uma superfície, seja um cobertor, ou a cama e colo do tutor, o gato está deixando seu cheiro e marcando aquele local ou indivíduo como parte de seu domínio.
"É uma forma de o gato dizer ‘Isso é meu!’ de uma maneira completamente não agressiva”, observa o PetMD, portal de informações veterinárias, em publicação sobre a comunicação felina.
Tutores devem sempre manter as unhas do gato sempre aparadas para que essa atividade ocorra de forma confortável para o pet, ao mesmo tempo em que evita arranhões se a superfície amassada for um colo humano, por exemplo.
Também é importante não repreender o gato por amassar, pois trata-se de um comportamento natural e instintivo.