Todo mundo conhece ou já ouviu falar de um gato que arranha, morde ou se esconde ao menor sinal de aproximação.
“Ruim”, “temperamental” ou “antipático” são adjetivos comuns atribuídos a esses felinos, mas será que eles são mesmo assim por natureza?
Especialistas em comportamento animal explicam que atitudes como essas, muitas vezes, revelam traumas, medo ou um ambiente que não respeita as necessidades da espécie.
De acordo com o Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), gatos são animais sensíveis a mudanças e a estímulos intensos.
Uma rotina barulhenta, toques excessivos, falta de esconderijos ou de enriquecimento ambiental pode gerar estresse crônico, levando a reações agressivas ou retraídas.
“Boa parte dos comportamentos chamados de ‘ruins’ nos gatos são, na verdade, sinais de desconforto ou tentativas de se proteger. Entender a linguagem felina é essencial para melhorar a convivência”, explica a veterinária comportamentalista Renata da Silva Ramos, em entrevista ao canal institucional do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV).
A culpa não é do gato: é preciso interpretar o contexto
Quando um felino arranha uma visita ou morde ao ser acariciado, pode estar sinalizando que se sente ameaçado ou que seu limite foi ultrapassado.
Tutores devem compreender esses sinais, como orelhas para trás, corpo encolhido ou cauda batendo, para evitar conflitos e construir confiança.
O American Association of Feline Practitioners (AAFP) reforça que cada gato possui um limiar diferente para interação e estímulo, o que deve ser respeitado.
“O respeito aos sinais comportamentais do gato reduz significativamente episódios de agressividade e melhora a relação com os tutores”, destaca o manual de boas práticas da entidade.
Além disso, gatos que passaram por situações traumáticas, como abandono ou maus-tratos, podem demorar mais para confiar em humanos. Nesses casos, a recuperação emocional depende de tempo, paciência e segurança.
Como lidar com um gato reativo ou arredio
Conquistar a confiança de um gato considerado “difícil” exige uma mudança de perspectiva: mais escuta, menos imposição.
Ao adaptar o ambiente e respeitar os limites do felino, muitos tutores relatam mudanças positivas no comportamento.
Veja algumas práticas que ajudam nesse processo:
- Evite forçar contato físico. Deixe que o gato se aproxime no próprio tempo;
- Crie esconderijos e áreas elevadas onde ele possa se sentir seguro;
- Use brinquedos interativos para estimular a confiança e o vínculo;
- Mantenha uma rotina previsível de alimentação e interações;
- Ofereça recompensas (petiscos ou carinho) sempre que ele demonstrar aproximação voluntária;
- Consulte um veterinário especializado em comportamento se houver agressividade recorrente.