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Com ajustes na rotina, tutores alérgicos podem sim conviver com cães; entenda

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), cerca de 15% da população brasileira é alérgica a animais de estimação

Embora a recomendação médica, em alguns casos, seja evitar o contato direto com os bichos, muitos tutores encontram formas de adaptar a casa e a rotina para manter os pets por perto sem abrir mão da saúde

Contrariando uma crença comum, a alergia a cães não é causada pelos pêlos em si, mas por proteínas presentes na saliva, urina e descamação da pele dos animais, os chamados alérgenos.

Eles se espalham pelo ambiente e se acumulam em tecidos como sofás, roupas e cortinas.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), cerca de 15% da população brasileira é alérgica a animais de estimação.

E embora a recomendação médica, em alguns casos, seja evitar o contato direto com os bichos, muitos tutores encontram formas de adaptar a casa e a rotina para manter os pets por perto sem abrir mão da saúde.

“A retirada do animal raramente é necessária. Com algumas mudanças ambientais e o uso de medicação adequada, é possível controlar os sintomas alérgicos sem interromper a convivência com o pet”, afirma a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), em nota oficial.

Ajustes na casa para reduzir sintomas

Controlar a exposição aos alérgenos é o primeiro passo para quem convive com alergia. Isso envolve tanto a limpeza do ambiente quanto cuidados com o próprio pet.

Cortar o acesso do animal ao quarto da pessoa alérgica, por exemplo, pode reduzir significativamente a carga de alérgenos no local, segundo orientação da American Academy of Allergy, Asthma & Immunology (AAAAI).

Além disso, medidas simples do dia a dia podem fazer diferença na vida do tutor alérgico:

  • Aspirar a casa com frequência, de preferência com aspiradores com filtro HEPA;
  • Dar banhos regulares no cão, com orientação veterinária, para reduzir a carga de alérgenos;
  • optar por pisos frios em vez de carpetes ou tapetes, que acumulam mais pelos e partículas;
  • Lavar roupas de cama e cortinas com frequência, de preferência em água quente;
  • Manter boa ventilação e usar purificadores de ar com filtro HEPA, quando possível.

A ASBAI também destaca que o acompanhamento com alergista é essencial para identificar o nível de sensibilidade do tutor e definir estratégias personalizadas, que podem incluir o uso de medicamentos ou imunoterapia.

Nem todas as raças

Ainda que não existam raças 100% hipoalergênicas, algumas costumam provocar menos reações por produzirem menos alérgenos ou soltarem menos pelos.

É o caso de poodles, bichon frisé, maltês e schnauzers, frequentemente citados por especialistas.

Segundo o Hospital Veterinário da Universidade de São Paulo (USP), o tipo de pelagem influencia na dispersão de alérgenos, mas o fator mais importante é a rotina de cuidados.

“A frequência de banhos e escovação, além da limpeza dos ambientes, faz mais diferença do que a raça em si”, explica a universidade em cartilha educativa.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.