Brincadeiras e vínculo social ajudam cães a entender palavras, aponta estudo
Pesquisa mostra que curiosidade por brinquedos novos e interação com tutores podem impulsionar aprendizado e memória canina

Uma simples novidade pode mudar totalmente a forma como um cão brinca e aprende. É o que indica um estudo científico conduzido por pesquisadores da Hungria, Itália e Áustria, publicado na revista Animal Cognition. A pesquisa investigou como a brincadeira, a curiosidade e a conexão social influenciam a capacidade dos cães de compreender palavras.
Os cientistas observaram que todos os cães demonstram forte atração por objetos desconhecidos, inclusive aqueles que já conseguem aprender nomes de brinquedos. Segundo os autores, os animais interagiram mais com itens novos, confirmando a tendência natural da espécie pela novidade.
O estudo também identificou um comportamento especial em um grupo raro de cães chamados de Aprendizes Dotados de Palavras, conhecidos por conseguirem memorizar o nome de muitos objetos. Esses cães procuraram mais seus tutores quando receberam brinquedos novos, principalmente carregando o objeto na boca para compartilhar a experiência.
A pesquisa reuniu especialistas da Universidade Eötvös Loránd e do Grupo de Pesquisa Comparativa de Etologia da MTA ELTE, na Hungria, da Universidade de Turim, na Itália, e do Instituto Messerli da Universidade de Medicina Veterinária de Viena, na Áustria.
Metodologia
Para evitar influência de diferenças raciais, todos os participantes eram da raça Border Collie. O grupo incluiu 10 cães considerados Aprendizes Dotados de Palavras e 21 cães típicos.
Os tutores receberam oito brinquedos novos. Quatro foram usados na fase de familiarização e dois receberam nomes específicos. Durante duas semanas, os cães brincaram com os quatro brinquedos conhecidos, sendo que apenas metade deles tinha nome. Os outros quatro foram guardados para a etapa de testes.
Na fase final, seis brinquedos foram colocados no chão, quatro conhecidos e dois novos. O cão teve 90 segundos para interagir livremente, sem receber estímulos do tutor, que permaneceu passivo. As sessões foram gravadas e analisadas com software especializado, medindo o tempo dedicado a cada objeto e os comportamentos de busca por atenção humana.
Os resultados mostraram que tanto os cães dotados quanto os típicos passaram mais tempo com brinquedos novos. No entanto, apenas os cães dotados aprenderam corretamente os nomes dos objetos nomeados em um teste específico de vocabulário. Esses mesmos animais também buscaram mais contato social ao levar o brinquedo novo ao tutor, sugerindo maior motivação para compartilhar a experiência.
Próximos passos e limitações
Os pesquisadores defendem que novos estudos incluam outras raças e meçam com precisão a frequência de brincadeiras no ambiente doméstico, para compreender melhor a ligação entre motivação social e aprendizado de palavras em cães.
Eles reconhecem que o foco exclusivo em Border Collies pode limitar a generalização dos resultados, embora não haja evidências de que o fenômeno seja exclusivo da raça. O experimento também não avaliou preferências pessoais por brinquedos nem coletou dados formais sobre o tempo diário de brincadeira.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



