Gatos protestam por petiscos na campanha ‘Quero ser mimado como um cachorro’; entenda

Felinos recebem até quatro vezes menos petiscos do que os cães; fenômeno reforça um mito sobre os gatos, frequentemente vistos como menos afetuosos

marca Dreamies lançou uma campanha com linguagem divertida e leve

Embora sejam igualmente carinhosos e companheiros, os felinos recebem até quatro vezes menos petiscos do que os cães. Esse comportamento reforça um mito sobre os gatos, frequentemente vistos como menos afetuosos, apesar de serem ativos, curiosos e altamente engajados em estímulos e brincadeiras.

Para marcar o início do movimento Quero ser Mimado como um Cão, a marca Dreamies lançou uma campanha com linguagem divertida e leve. “Toda a identidade visual da campanha traz gatos fantasiados de cachorros, protestando contra o gap existente entre felinos e cães na hora de receberem petiscos”, explica Laura Reis, Gerente de Marketing de Dreamies na Mars Pet Nutrition.

“Tradicionalmente Dreamies é uma marca irreverente, moderna e que ao mesmo tempo se preocupa com o bem-estar animal. Por isso, os gatos vestidos de cachorros da campanha foram produzidos com Inteligência Artificial e usam humor, ironia e cultura popular para mostrar que os felinos também têm comportamentos que merecem reconhecimento, estímulos e recompensas”, finaliza Laura.

Mas não basta simplesmente dar o petisco direto na boca do gato. Por serem animais caçadores, o ideal é facilitar uma atividade que instigue seu comportamento natural.

Além das já tradicionais brincadeiras com varinhas e cordões, os brinquedos interativos estão ganhando cada vez mais espaço entre os tutores de felinos.

Esses objetos se diferenciam por trazerem um desafio ao animal, estimulando seu raciocínio e promovendo a sua saúde. O exemplo mais conhecido é o da bolinha, que libera ração conforme o pet brinca com ela.

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Brincar não é apenas uma diversão para os gatos, é uma necessidade para a saúde física, emocional e comportamental do animal. Por serem caçadores por natureza, atividades que estimulam esse instinto proporcionam bem-estar, reduzem o estresse e contribuem para uma convivência mais harmoniosa dentro de casa.

“Os gatos acabam passando mais tempo nas residências quando comparado aos cães, muitas vezes sozinhos, o que aumenta ainda mais a necessidade de terem estímulos durante o dia. Ter um brinquedinho com que ele possa interagir faz toda a diferença para a felicidade e a saúde do pet”, explica Karin Botteon, médica-veterinária e gerente técnica de pets da Boehringer Ingelheim.

O exercício é ainda mais recomendado para os gatos que possuem uma idade mais avançada, trazendo benefícios diretos à saúde deles. “Mesmo os gatos de meia-idade ou mais velhos continuam precisando de estímulos. Interações leves, mas frequentes, ajudam esses animais a manterem mobilidade, curiosidade e bem-estar emocional ao longo da vida”, complementa a profissional.

Para os tutores que não desejam investir em um brinquedo, é possível fazer versões artesanais deles, como a utilização de caixas simples de papelão com aberturas, fazendo com que o felino possa explorar e se divertir com o objeto.

A especialista reforça a importância do rodízio, fazer a rotatividade dos brinquedos. “Deixar tudo disponível o tempo todo diminui o interesse do animal. Alternar os objetos regularmente mantém a curiosidade ativa e o enriquecimento ambiental mais eficaz”, comenta Botteon.

“Quando o tutor investe alguns minutos por dia em interações estruturadas, ajuda o animal a expressar seus comportamentos naturais de forma segura, além de fortalecer muito o vínculo entre ambos”, explica.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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