Gatos também precisam tratar o tártaro: problema é comum e pode afetar até órgãos vitais

Sem prevenção, o quadro pode comprometer coração, rins e fígado, e aumentar os impactos do problema

Mesmo quando o tártaro é visível, a solução não está em limpezas superficiais

A saúde bucal dos gatos ainda recebe menos atenção do que deveria, mas estudos e orientações veterinárias indicam que o tártaro e a doença periodontal estão entre as alterações mais frequentes na espécie. Pesquisas científicas mostram que problemas orais podem atingir cerca de um quarto dos felinos atendidos em hospitais veterinários, com risco de dor crônica e infecções sistêmicas quando não tratados.

A progressão costuma ser silenciosa. O acúmulo de placa bacteriana endurece sobre os dentes, formam o cálculo dentário que provoca inflamação gengival, perda dentária e disseminação de bactérias pela corrente sanguínea. Sem prevenção, o quadro pode comprometer coração, rins e fígado, e aumentar os impactos do problema.

Para a odontologista veterinária Nicole Casara, em reportagem da Itatiaia, a relação entre boca e organismo é direta: “a boca é a porta de entrada do organismo, e a falta de cuidados pode gerar consequências graves”. O alerta reforça que o problema não é apenas estético, mas clínico.

Mesmo quando o tártaro é visível, a solução não está em limpezas superficiais. O Conselho Regional de Medicina Veterinária de Goiás (CRMV-GO) explica que a remoção apenas do cálculo aparente não trata a doença periodontal profunda, destacando que “a remoção do tártaro visível não significa tratamento periodontal efetivo”. Isso ocorre porque a infecção se desenvolve abaixo da linha da gengiva, exigindo avaliação e procedimento veterinário específico.

Estudos clínicos também identificam a presença simultânea de gengivoestomatite, doença periodontal e lesões de reabsorção dentária, especialmente em gatos idosos. Ou seja, a deterioração bucal pode avançar sem sinais claros para o tutor.

A rotina mais segura, segundo Casara, é a escovação com produtos específicos, alimentação adequada e acompanhamento veterinário periódico. Assim, o tutor evita a necessidade de intervenções mais invasivas.

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Quando o gato pode precisar de tratamento contra tártaro? A Itatiaia resumiu:

  • Mau hálito persistente, gengiva inflamada ou dor ao mastigar, sinais comuns de doença periodontal.
  • Perda de apetite, salivação ou dificuldade para comer, indicativos de sofrimento oral.
  • Acúmulo visível de cálculo dentário ou dentes frouxos, que exigem avaliação veterinária.
  • Doenças bucais associadas em gatos mais velhos, como gengivoestomatite e reabsorção dentária.
  • Risco de infecções sistêmicas quando o problema não é tratado.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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