Mulher queimada viva e revolta da ‘Gen Z': saiba tudo o que está acontecendo no Nepal

Recentes confrontos com a polícia deixaram 19 mortos e incendiaram prédios públicos

Geração Z de Nepal está em rebelião contra o governo do país

O Nepal viveu uma revolta da “Geração Z” motivada pela presente ostentação de políticos no poder e a pobreza da população. O bloqueio de redes sociais pelo governo foi a gota d’água para manifestações sem precedentes na capital, Katmandu, ocorridas nessa última segunda (8) e terça-feira (9).

Durante os atos, prédios governamentais e casas de ministros foram incendiados, e autoridades foram arrastadas e agredidas pela multidão . Pelo menos 19 pessoas morreram nos confrontos com a polícia, que usou gás lacrimogêneo e balas de borracha, segundo reportagem da BBC.

Desigualdade e desemprego

A desigualdade social é um dos principais motivos da revolta. Segundo o Banco Mundial, os 10% mais ricos ganham mais de três vezes a renda dos 40% mais pobres, e 20% da população vive na pobreza. Entre os jovens de 15 a 24 anos, 22% estão desempregados.

Milhões de jovens nepaleses trabalham no exterior para sustentar suas famílias, enquanto a elite política ostenta luxo e permanece impune em casos de corrupção.

De acordo o G1, Gaurav Nepune, um dos líderes dos protestos, disse:

Força da Geração Z

As manifestações foram fortemente organizadas por jovens nascidos entre 1995 e 2009, considerados a primeira geração nativa digital. Eles usam redes sociais para debater política, diversidade e sustentabilidade, além de mobilizar protestos online.

O bloqueio de plataformas, como Facebook, X e YouTube, fez com que os manifestantes recorressem a alternativas como Viber e TikTok.

Aumento da violência

Mesmo após a renúncia do primeiro-ministro Khadga Prasad Oli, do Partido Comunista, os protestos continuaram. Casas de autoridades foram atacadas e incendiadas, incluindo a do ex-premiê cujo esposa chegou a falecer devido a graves queimaduras, e do Jhala Nath Khanal.

Dois aeroportos e hotéis, como o Hilton e o Varnabas, também foram danificados, e o aeroporto de Katmandu foi fechado devido à fumaça. Civis foram fotografados portando rifles de assalto pelas ruas da capital.

Quais são os próximos passos?

Um dos nomes mais populares entre os manifestantes é Balendra Shah, de 35 anos, ex-rapper e compositor, prefeito de Katmandu desde 2022.

Após as mortes de manifestantes, Shah chamou Oli de “terrorista” e, depois da renúncia, pediu calma aos jovens:

“Querida Geração Z, a renúncia dos seus opressores na política já aconteceu! Agora, por favor, tenham paciência.”

(Sob supervisão de Aline Campolina)

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Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.
Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.

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