China cresce 5% em 2025, no menor ritmo das últimas décadas

Consumo interno fraco, dívida no setor imobiliário e guerra comercial com os Estados Unidos podem ser algumas justificativas para o baixo crescimento

Presidente da República Popular da China, Xi Jinping.

A China anunciou que a economia do país cresceu em 5% em 2025. Mesmo sendo o percentual estipulado para a segunda maior economia do mundo, o número demonstra um dos ritmos mais baixos das últimas décadas, em um contexto de consumo interno fraco e crise da dívida no setor imobiliário.

Analistas apontaram que o crescimento foi impulsionado principalmente pelas exportações e que esconde as fragilidades internas da economia chinesa. A economia cresceu 4,5% no quarto trimestre de 2025, atingindo as expectativas. Porém, registrou uma desaceleração significativa no fim do ano.

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O retorno de Donald Trump à Casa Branca há um ano e a retomada de uma guerra comercial entre as duas maiores potências econômicas do mundo agravaram os problemas de Pequim.

O presidente chinês, Xi Jinping, e Trump chegaram a uma trégua provisória em uma reunião no fim de outubro, ao concordarem com uma pausa nas medidas restritivas, incluindo tarifas recíprocas elevadas.

Segundo dados oficiais, as exportações chinesas para os Estados Unidos caíram 20% em 2025, embora o número tenha tido pouco impacto na demanda por produtos chineses em outros mercados.

Comércio varejista e setor industrial

O comércio varejista, principal indicador do gasto interno, cresceu 0,9% em dezembro — o nível mais baixo desde a Pandemia de Covid-19 em 2022, segundo dados do Escritório Nacional de Estatísticas (ONE).

Em todo o ano, as vendas no varejo desaceleraram 3,7%. Para comparação, o indicativo apontou 4% em 2024.

“O impacto das mudanças no ambiente externo se aprofundou”, admitiu Kang Yi, da ONE. “A contradição interna entre uma oferta forte e uma demanda fraca é evidente”, acrescentou em entrevista coletiva, reconhecendo que “ainda persistem muitos problemas.”

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O governo chinês, em uma tentativa de estimular o consumo, flexibilizou a política fiscal do país e está subsidiando a compra de produtos para o lar. As medidas devem continuar em 2026, afirmou Kang.

“A implementação gradual de políticas para eliminar restrições irracionais no setor de consumo dará suporte ao crescimento do consumo”, assegurou.

Já a produção industrial cresceu 5,2% em dezembro, contra 5,8% no mesmo mês em 2024, informou a ONE. Ainda sim, o resultado de dezembro no último ano é superior ao do mês anterior.

“A atividade de dezembro sugere que o crescimento produtivo ganhou algum impulso no fim do ano, mas isso se deveu em grande parte à resiliência das exportações”, afirmou Zichun Huang, analista da Capital Economics. “Esperamos que o crescimento deste ano seja ao menos ligeiramente inferior ao de 2025", projetou.

* Com informações da AFP.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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