China eleva preços e mercado de carne inicia 2026 com otimismo apesar de sobretaxa

No mercado físico do boi gordo, a segunda-feira (5) foi de estabilidade; consumo doméstico na virada de ano deu fôlego ao varejo

Preços estão firmes na primeira semana de janeiro

Após um 2025 histórico, marcado por volumes recordes de abates e exportações consistentes, a pecuária brasileira iniciou 2026 sob um cenário de dualidade: a apreensão com novas barreiras tarifárias chinesas e o alívio trazido pela valorização imediata da carne exportada.

Enquanto o mercado físico interno opera com estabilidade, o consumo doméstico na virada de ano deu fôlego ao varejo, sustentando preços firmes na primeira semana de janeiro.

‘Fator China': cota e sobretaxa

No encerramento de 2025, a China, principal parceiro comercial da carne bovina brasileira, anunciou a implementação de uma política de salvaguarda. A partir deste mês, as importações do Brasil estão limitadas a uma cota anual de 1,106 milhão de toneladas. Volumes que excederem esse teto serão taxados em 55%, além das tarifas vigentes (12%) — somadas resultam em 67% —, em uma medida que deve perdurar até 2028.

Apesar do alerta inicial de frigoríficos e produtores sobre possíveis pressões nas margens, a reação do mercado chinês surpreendeu. Logo após o anúncio, os compradores asiáticos elevaram os preços pagos; o dianteiro desossado, por exemplo, saltou de US$ 5.400 para US$ 5.800 por tonelada. Esse movimento trouxe fôlego ao setor exportador e ajudou a sustentar os preços internos.

Consumo interno e preços no atacado

Dentro das fronteiras brasileiras, o feriado prolongado de Ano Novo impulsionou as vendas. Supermercados e açougues registraram movimento intenso entre os dias 29 de dezembro e 3 de janeiro, gerando uma onda de pedidos de reposição ao varejo neste início de semana.

Com a oferta limitada, cresceu a procura por cortes específicos como boi casado, dianteiro e ponta de agulha. No atacado de São Paulo, o traseiro do boi castrado é negociado a R$ 26,85/kg, enquanto o dianteiro e a ponta de agulha estão fixados em R$ 18,50/kg. A tendência para os próximos dias é de preços sustentados, visando o abastecimento da segunda semana do mês, tradicionalmente de bom consumo.

Estabilidade na arroba e mercado futuro

No mercado físico do boi gordo, a segunda-feira (5) foi de estabilidade. Em São Paulo, a arroba foi cotada a R$ 325,00, o mesmo valor registrado no encerramento de dezembro. Nas demais regiões produtoras, a média nacional ficou em R$ 305,10, com o Mato Grosso registrando R$ 300,00 e o Mato Grosso do Sul R$ 315,00.

Já o mercado futuro reflete otimismo. Na B3, os contratos com vencimento para janeiro de 2026 operaram em alta, negociados a R$ 317,00 por arroba, sinalizando que, apesar dos novos desafios alfandegários na Ásia, a pecuária nacional mantém sua resiliência.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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