Após um 2025 histórico, marcado por volumes recordes de abates e exportações consistentes, a pecuária brasileira iniciou 2026 sob um cenário de dualidade: a apreensão com
Enquanto o mercado físico interno opera com estabilidade, o consumo doméstico na virada de ano deu fôlego ao varejo, sustentando preços firmes na primeira semana de janeiro.
‘Fator China': cota e sobretaxa
No encerramento de 2025, a China, principal parceiro comercial da carne bovina brasileira, anunciou a
Apesar do alerta inicial de frigoríficos e produtores sobre possíveis pressões nas margens, a reação do mercado chinês surpreendeu. Logo após o anúncio, os compradores asiáticos elevaram os preços pagos; o dianteiro desossado, por exemplo, saltou de US$ 5.400 para US$ 5.800 por tonelada. Esse movimento trouxe fôlego ao setor exportador e ajudou a sustentar os preços internos.
Consumo interno e preços no atacado
Dentro das fronteiras brasileiras, o feriado prolongado de Ano Novo impulsionou as vendas. Supermercados e açougues registraram movimento intenso entre os dias 29 de dezembro e 3 de janeiro, gerando uma onda de pedidos de reposição ao varejo neste início de semana.
Com a oferta limitada, cresceu a procura por cortes específicos como boi casado, dianteiro e ponta de agulha. No atacado de São Paulo, o traseiro do boi castrado é negociado a R$ 26,85/kg, enquanto o dianteiro e a ponta de agulha estão fixados em R$ 18,50/kg. A tendência para os próximos dias é de preços sustentados, visando o abastecimento da segunda semana do mês, tradicionalmente de bom consumo.
Estabilidade na arroba e mercado futuro
No mercado físico do boi gordo, a segunda-feira (5) foi de estabilidade. Em São Paulo, a arroba foi cotada a R$ 325,00, o mesmo valor registrado no encerramento de dezembro. Nas demais regiões produtoras, a média nacional ficou em R$ 305,10, com o Mato Grosso registrando R$ 300,00 e o Mato Grosso do Sul R$ 315,00.
Já o mercado futuro reflete otimismo. Na B3, os contratos com vencimento para janeiro de 2026 operaram em alta, negociados a R$ 317,00 por arroba, sinalizando que, apesar dos novos desafios alfandegários na Ásia, a pecuária nacional mantém sua resiliência.