PIB da agropecuária cresce 11,7% em 2025 e impulsiona economia brasileira

Participação do setor chega a 7,5% do PIB nacional, a maior desde 1996, e responde por cerca de um terço do crescimento da economia no ano

Esse é o segundo maior resultado da série histórica

O Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária cresceu 11,7% em 2025 em comparação com 2024. Esse é o segundo maior resultado da série histórica, ficando atrás apenas de 2023, quando o setor registrou alta de 15,1%. Segundo os dados, a participação do setor alcançou 7,5% do PIB total, o maior da série histórica iniciada em 1996.

Segundo a análise da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o resultado impulsionou o PIB brasileiro, que avançou 2,3% em 2025, totalizando R$ 12.739,6 bilhões no ano. Sem o crescimento da atividade agropecuária, o PIB do Brasil teria crescido apenas 1,5%, colocando o setor como responsável por um terço da expansão econômica do país no ano. As demais áreas da economia registraram crescimento mais modesto, de 1,8%, no caso de Serviços, e de 1,4%, no caso da Indústria.

Pela ótica da demanda, o crescimento no ano foi impulsionado pelo setor externo, que registrou alta de 6,2% nas exportações, com destaques para agropecuária, extração de petróleo e veículos automotores. Também contribuiu a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que avançou 2,9%.

Entretanto, esse resultado decorre do aumento das importações de bens de capital, do desenvolvimento de software e do desempenho da construção, que compensaram a queda na produção interna de bens de capital. Com isso, o resultado ficou bem abaixo do observado em 2024, quando a FBCF havia crescido 6,9%.

O componente de maior peso no PIB, o Consumo das Famílias, cresceu 1,3% no acumulado de 2025, resultado que reflete a dinâmica do mercado de trabalho, do crédito e dos programas governamentais de transferência de renda. Todavia, esse desempenho representa uma desaceleração significativa em relação a 2024, quando o avanço foi de 5,1%.

Já o Consumo do Governo registrou crescimento de 2,1%, 0,1 ponto percentual acima do verificado no mesmo período de 2024 (2,0%). Observa-se, portanto, que os componentes da demanda mais sensíveis ao ciclo de aperto da política monetária, especialmente o investimento produtivo (FBCF), apresentaram arrefecimento, em um contexto de taxas de juros elevadas.

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*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.

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