Matheus Silveira, brasileiro de 30 anos que foi preso por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês), chegou ao Brasil nesta quinta-feira (12) e desembarcou no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na Grande BH.
Ele foi recebido pelo programa “Aqui é Brasil”, do governo federal, e voltou a partir de uma deportação voluntária. Por conta da autodeportação, não poderá retornar aos EUA pelos próximos dez anos.
A esposa dele, Hannah Silveira, estadunidense, relata que as condições nos locais em que Matheus esteve detido eram insalubres, além de ter alimentação precária. “Não é suficiente para um homem adulto, como se servissem lanches estudantis”, conta em entrevista à Globo.
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Além disso, a família também aponta outros erros no processo de detenção: como ele assinou uma deportação voluntária, Matheus tinha o direito de ser enviado para o Brasil em um voo comercial, o que não ocorreu.
Ela também disse que ele estava preso em uma cela onde cabiam 16 camas, mas que, por superlotação, chegou a dormir no chão por dias. A mãe fala em apreensão enquanto o filho não chegava. A família não teve contato com Matheus durante um período em que ele foi transferido entre diversos centros de detenção.
"É de partir o coração saber que dei tanto pelo meu país e eles não têm problema nenhum em me tirar o meu marido e me forçar a escolher entre o meu país e o meu marido”, desabafou Hannah. Ela casou-se com Matheus em 2024.
Eles se conheceram depois que ela se mudou para a Califórnia para estudar Direito depois de deixar o Exército, onde atuou por dois anos como paramédica. No Brasil, Hannah precisará recomeçar a carreira profissional, uma vez que a formação em Direito não tem certificação no país.
O rapaz descansará antes de seguir em viagem para o Rio de Janeiro, onde mora no Brasil.
(Sob supervisão de Alex Araújo)